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Neurocientistas descobrem gene relacionado à Esquizofrenia

schizophrenia

 

Estudo publicado na última edição da revista Nature aponta para gene específico relacionado ao desenvolvimento de Esquizofrenia.

 

O processo biológico que resulta no desenvolvimento da esquizofrenia pode ter sido finalmente descoberto após uma análise genética detalhada de mais de 60 mil pessoas na tentativa de decifrar quais as características genômicas são mais fortemente associadas com a esquizofrenia.

 

A esquizofrenia é uma condição hereditária que tende a tornar-se evidente no final da adolescência e início da vida adulta, e é caracterizada por comprometimento cognitivo, instabilidade emocional e alucinações. Durante estes anos, a maioria das pessoas passam por um processo chamado de poda sináptica, em que as conexões entre os neurônios – ou algumas sinapses – são eliminados.

 

Embora um certo grau de poda sináptica seja normal nesta fase da vida, em casos extremos, pode haver uma redução anormal do volume de tecido de matéria cinzenta e de estruturas sinápticas em regiões do cérebro que estão fortemente associadas à cognição de alto nível e ao controle emocional, tais como o córtex pré-frontal. Isto é observado em indivíduos com esquizofrenia, embora tal informação já esteja disponível há algum tempo, os mecanismos que causam esta maior poda sináptica permaneciam até então pouco compreendidos.

 

Para tentar resolver este enigma, os pesquisadores analisaram os dados genéticos de 28.799 pessoas que sofrem com a esquizofrenia e de 35.896 de pessoas saudáveis. Em particular, concentraram-se nos genes contidos dentro de uma região do genoma humano – no cromossomo seis – que codifica o principal complexo de histocompatibilidade (MHC). Embora esta proteína seja conhecida principalmente pelo papel que desempenha na imunidade, os genes na região do MHC têm previamente exibido um número de marcadores genéticos que estão associados com a esquizofrenia.

 

Nas descobertas, publicadas na edição de fevereiro da conceituada revista Nature, os autores do estudo encontraram uma forte correlação entre o desenvolvimento de esquizofrenia e a presença de uma variação particular do gene C4. Este gene pode existir em múltiplas formas, que codificam a expressão de duas proteínas diferentes, conhecidas como C4A e C4B.

 

Ambas C4A e C4B promovem a ativação de outra proteína chamada C3, que se ligam a certos alvos dentro do cérebro e da medula espinhal, a fim de “marcá-los” para a destruição por células do sistema imunológico chamadas de microglia. Quando C3 se liga a certos subconjuntos de sinapses, estas são eliminadas por estas células, resultando na poda sináptica.

 

Embora ainda não se saiba o porquê do mecanismo pelo qual a proteína C4A realiza o excesso de poda sináptica enquanto a C4B não realiza esta função, o fato de que as duas proteínas produzam efeitos diferentes é pouco inesperado, dadas as grandes diferenças bioquímicas entre as duas. Por exemplo, C4A prontamente se liga a outras proteínas, enquanto C4B favorece ligações com carboidratos. Portanto, é provável que as duas formas da proteína possuam diferentes locais de interligação nas sinapses.

 

Comentando sobre estes resultados, Bruce Cuthbert – atual diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental (Agência Federal Americana líder na pesquisa sobre doença mental) – ressaltou que esse estudo “muda o jogo” na luta contra a doença mental, uma vez que pode levar ao desenvolvimento de novas terapias que tratam as causas da doença. 

 

Você sabia que a NeuroForma® apóia estudo para o tratamento de pacientes portadores de esquizofrenia e trasntornos cognitivos leves no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro? Saiba mais aqui.

Na ausência de medicamentos, solução foi o treino cognitivo

maquinaria cerebral

 

Novo estudo que demonstra a capacidade do cérebro de
recrutar outra região para executar tarefas

 

Estudo realizado por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP comprovou a eficácia do treino cognitivo na melhora da memória de pacientes submetidos à cirurgia para ressecção de tumores cerebrais no lobo frontal esquerdo.

 

Esta área do cérebro está relacionada à capacidade de codificar e recordar novas informações, especialmente de conteúdo verbal – informações lidas e conversas – além de aplicar estratégias eficientes para melhorar o desempenho da memória.

 

Segundo a pesquisadora Eliane Miotto, neuropsicóloga do Departamento de Neurologia do HC, até então nenhum estudo havia investigado o que poderia ocorrer no cérebro dos pacientes com extensas lesões decorrentes da remoção de um tumor especialmente em áreas relevantes para o funcionamento da memória e funções executivas como o lobo frontal esquerdo.

 

Lobo Frontal

 

A pesquisadora destacou ainda que não há, até o momento, medicamentos capazes de restabelecer o funcionamento pleno da memória em pacientes com lesões cerebrais. Por este motivo, buscou o treino cognitivo como alternativa de tratamento para os problemas relacionados à memória.

 

Foram avaliados nove pacientes adultos (idade média de 38,8 anos). Esses pacientes haviam sido submetidos à ressecção do tumor na região do lobo frontal esquerdo há cerca de dois anos antes de participarem do estudo.

 

Todos os integrantes realizaram o exame de Ressonância Magnética Funcional antes e depois de uma sessão de treino de memória na qual eram ensinadas estratégias de agrupamento semântico para melhora da capacidade de recordar diversas listas de palavras.

 

Os resultados surpreenderam os especialistas. Foi comprovada melhora significativa dos pacientes nas tarefas de memória e, esta melhora, segundo Miotto, estava associada a uma maior ativação ou recrutamento da região do giro frontal inferior no hemisfério ou lado direito do cérebro.

 

Giro Frontal Superior

 

O treino também foi administrado em um grupo controle de voluntários saudáveis pareados aos pacientes em termos de idade e escolaridade. Os voluntários saudáveis demonstraram melhora da capacidade de memorizar novas informações após o treino e esta melhora estava associada a uma maior ativação especialmente das regiões do lobo frontal esquerdo. O estudo foi publicado no periódico científico internacional Plos One.

 

E você? Já experimentou ativar diversas regiões do seu cérebro através da nossa plataforma de treino cognitivo computadorizado? Você pode praticar on-line! Teste grátis em br.brainhq.com, seus bilhões de neurônios vão agradecer.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa – CCI / Instituto Central do HC

Saiba como treinar sua visão periférica e seu campo de visão útil

Cade o gato?

 

Conseguiu localizar o gato na ilustração acima? 

 

Muitas pessoas têm se sentido frustradas ao serem incapazes de localizar o gato na ilustração do artista Gergely Dudás, também conhecido como Dudolf.

 

Esse desafio foi publicado na página do Facebook de Dudolf e se tornou viral, assim como outras ilustrações, como por exemplo, o desenho que te desafia a localizar um urso panda no meio de vários bonecos de neve.

 

Essas imagens geraram milhares de comentários, mostrando que muitas pessoas têm apresentado dificuldade para encontrar o gato ou o urso panda. Um usuário relatou que levou 5 minutos para localizar o urso e mais de 15 minutos de tentativas frustradas de localizar o gato em meio às corujas. Outro usuário confessou ter pedido ajuda da filha para conseguir realizar o desafio.

 

Mas qual a causa de tudo isso? Muito provavelmente, essa dificuldade encontrada deve estar relacionada à forma com que o cérebro processa imagens, ao identificar padrões e começar a preencher automaticamente os espaços da visão periférica. Isso dificulta e muito a localização de detalhes mais sutis ou irregularidades no nosso campo de visão, pois requer que você foque diretamente nesses elementos. Isso significa que você só vai enxergar o gato se você olhar diretamente para ele.

 

Campo de visao util

 

Outra explicação pode ser também relacionada ao seu campo útil de visão – que é a área onde você consegue enxergar detalhes com rapidez e precisão enquanto olha para frente -, se ele é mais estreito ou mais largo. Infelizmente, à medida que envelhecemos esse campo útil tende a diminuir. Entretanto, há exercícios cognitivos cientificamente testados em nossa plataforma online para condicionar seu cérebro a aumentar o seu campo de visão útil.

 

Mas onde está o gato? Nós não vamos revelar a posição exata do bichano, mas aqui vai uma dica: Gatos não têm bicos. Corujas também não usam chapéu nem gravata borboleta, mas isso não impediu o artista de fazer essa ilustração.

 

E aí? Achou o gato?

Cérebro geneticamente modificado?

Redes geneticas neurais ligadas a inteligencia
 
 
Cientistas identificam genes da “inteligência” e relacionados às habilidades cognitivas.

 
 
As habilidades cognitivas, como a capacidade de tomar decisões, variam muito de pessoa para pessoa e, embora se reconheça que tanto a genética quanto o ambiente desempenham um papel nesta variação, é incrivelmente difícil relacionar quais são os genes específicos das capacidades cognitivas saudáveis. Um novo estudo publicado na revista Nature Neuroscience, no entanto, identificou uma rede genética dentro de uma parte do cérebro que pode estar relacionadas com esses genes específicos.
 

A equipe da Escola de Medicina Duke-NUS e do Imperial College London (ICL) começou sua busca ao estudar todos os genes ativos dentro do hipocampo humano. Essa região do cérebro tem a função de consolidar as memórias de curto prazo para as de longo prazo, um componente chave da cognição. Utilizando amostras de hipocampo de humanos (com ampla variedade de habilidades cognitivas e status de saúde neurológica), os pesquisadores compararam e contrastaram centenas de genes com aqueles também encontrado em ratos.
 

Em vez de observar como os genes sozinhos podem estar ligados a atributos neurológicos específicos, a equipe usou uma nova abordagem chamada de System Genetics. Nesta abordagem, os pesquisadores analisaram as formas com que os genes “interagem” e determinaram como e quando os outros genes são ativados ou inibidos. Estas redes de genes geralmente possuem uma influência mais complexa no comportamento neurológico de uma pessoa que os genes poderiam exercer isoladamente.
 

Várias redes comuns de genes foram encontradas – duas destas, M1 e M3, pareceram mostrar uma forte ligação à cognição humana e à consolidação da memória. No caso de M3, descobriu-se que haviam 150 genes que aparentemente trabalham em conjunto com os outros numa rede “convergente”. Além disso, esta rede estaria ativa desde o nascimento.
 

Mais importante ainda, foi a demonstração de que esta rede (M3) é essencial para dois tipos muito diferentes de inteligência. A primeira inteligência, cristalizada, é a capacidade de pessoa se adaptar às situações que envolvem padrões e comportamentos vivenciados; a segunda inteligência, fluida, determina o o grau de eficiência com que uma pessoa pode se adaptar a uma situação totalmente única.
 

Os pesquisadores também compararam essas redes de genes com todos os dados genéticos conhecidos sobre as doenças e desordens do desenvolvimento neurológico, incluindo o autismo, a epilepsia e a esquizofrenia, e descobriram que um terço dos genes são mutantes em pacientes que sofrem destas condições.
 

Embora muitos destes genes foram individualmente relacionados ao desenvolvimento destas doenças, eles nunca foram relacionados entre si como uma rede. Em última análise, os resultados do estudo indicam que ambas as capacidades cognitivas saudáveis e as desordens do neurodesenvolvimento ​​são influenciadas pelo comportamento das mesmas redes genéticas.
 

Michael Johnson, o principal autor do estudo, disse que “talvez seja possível trabalhar com estas redes para modificar a inteligência, mas isso é apenas uma possibilidade teórica no momento – nós acabamos de dar o primeiro passo.”
 

E você, gostaria de desenvolver mais suas habilidades cognitivas? Experimente GRÁTIS alguns dos mais de 40 cursos e exercícios cientificamente projetados da nossa plataforma online!

Aplicativo desenvolvido pelo MIT fornece imagens com mapa de calor online

Lamem Neuroforma

A memória é uma coisa maravilhosamente útil, mas estranhamente misteriosa, sem a qual nós nunca aprenderíamos com os nossos erros, reconheceríamos os nossos amigos, ou encontraríamos o nosso caminho ao redor do mundo. Exatamente o que faz com que certas coisas sejam memoráveis ou esquecidas, no entanto, é um conceito que uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) tem trabalhado para responder.

 

Após a realização de uma extensa pesquisa, a equipe criou uma rede neural convolucional (RNC) com a capacidade de prever com precisão a “memorização” de fotografias, aprofundando nosso conhecimento sobre como a memória humana funciona. Você mesmo pode conferir esse experimento que virou um aplicativo on-line que lhe diz o grau em que suas fotografias são memoráveis. O App produz um mapa de calor que indica quais elementos destas imagens são os mais memoráveis ou “esquecíveis”.

 

As RNCs são redes de neurônios artificiais concebidos de acordo com o arranjo das células neurais no córtex visual – a parte do cérebro que processa a informação visual. Essas redes são capazes de aprendizado profundo, o que envolve o processamento de grandes volumes de dados a fim de identificar padrões subjacentes. Em outras palavras, elas aprendem informações por si mesmo, em vez de exigir uma pré-programação.

 

Na publicação do estudo através do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT (CSAIL), os pesquisadores explicam como eles primeiramente realizaram uma série de testes para determinar como os seres humanos memorizam fotografias. Basicamente, isto envolveu a exibição de um fluxo de imagens, algumas das quais foram repetidas, e pediram aos participantes para pressionar um botão cada vez que eles reconhecessem uma fotografia que eles já tinham visto.

 

Analisando os dados obtidos durante esses testes, a equipe encontrou uma correlação de classificação (uma medida de comparar dois conjuntos de dados) de 0,68 entre as respostas dos participantes humanos e a taxa real de repetição de imagem.

 

Levando isso um passo adiante, os investigadores procuraram identificar quais características de uma fotografia são responsáveis ​​pela sua memorização. Eles descobriram por exemplo que imagens de pessoas eram geralmente mais memoráveis do que paisagens naturais.

 

Eles então criaram um algoritmo para prever quais imagens seriam memoráveis ​​ou esquecíveis, e descobriram que sua RNC foi capaz de alcançar uma correlação de classificação de 0,64. O fato de essa pontuação ter ficado tão próxima da obtida pelos participantes humanos sugere que o algoritmo criado é um modelo preciso para prever a memorização de imagens.

 

Em seu estudo, os pesquisadores explicaram que isso pode ter uma ampla gama de aplicações reais. Por exemplo, entender o que torna as coisas memoráveis pode permitir a manipulação de dados, a fim de aumentar a sua memorização, garantindo assim que fatos importantes não sejam esquecidos.

 

O principal autor do estudo, Aditya Khosla, ressaltou que “poderíamos melhorar potencialmente a memória das pessoas se usarmos imagens memoráveis.”

 

Você pode saber mais a respeito desse tema acessando nossa plataforma on-line de exercícios para o cérebro (exercícios de memorização, atenção, inteligência e habilidades sociais) ou através do nosso site https://v3.neuroforma.com.br/programas-e-plataformas

Posit Science reafirma compromisso com as bases científicas dos neurogames

Carta do CEO da Posit Science:

Há pouquíssimos programas de treinamento para o cérebro disponíveis no mercado e, às vezes, é preciso um especialista para descobrir quais deles realmente funcionam. Infelizmente, a maioria desses programas têm pouca ou nenhuma ciência que possa comprovar as suas promessas de melhorar as funções cerebrais. O programa BrainHQ™ é diferente: profissionais com um profundo conhecimento em neurociências projetaram os nossos exercícios e há uma grande quantidade de pesquisas que mostram que eles funcionam.
 

Eu estou falando desse assunto por conta de uma notícia publicada recentemente no grande periódico americano Washington Post: a Comissão de Comércio Federal (CCF) multou o Lumos Labs (fabricante do Lumosity, um programa de treinamento para o cérebro) em 50 milhões de dólares (equivalente a aproximadamente R$203 milhões de reais) devido à publicidade com reivindicações enganosas. Como foi colocado por eles: “O Lumosity simplesmente não tem a ciência que comprove as suas propagandas.” Você pode saber mais aqui.
 

É bom que a CCF está lembrando a todos que as “regras de mercado” também se aplicam ao campo da saúde mental e treinamento para o cérebro: as empresas têm que ser capazes de respaldar o que elas dizem com provas científicas.
 

Nós temos seguido essas regras desde o início, pois sempre acreditei que a boa ciência importa mais que a publicidade. Como resultado, o BrainHQ é único entre os programas de treinamento para o cérebro. Ele oferece exercícios e avaliações que foram repetidamente testados e que demonstraram ser benéficos em dezenas de estudos rigorosos com revisão por pares independentes. Na verdade, o BrainHQ contém os únicos exercícios que tem benefícios que são capazes de serem generalizados para melhorar os resultados das medidas padrão de cognição (tais como a memória e a velocidade de processamento), assim como também as medidas de atividades do mundo real e a qualidade de vida (tais como a condução segura, a capacidade de ouvir em lugares barulhentos, melhor humor).
 

Você pode ler tudo sobre estas pesquisas nas seções de ciências dos nossos sites (aqui publicamos um resumo). Nós apoiamos cada estudo, assim como também os cientistas acadêmicos independentes que conduzem os mesmos e que são nossos parceiros ao redor do mundo.
 

Portanto, a sua decisão de escolher o programa BrainHQ foi a correta. Nós agradecemos a sua confiança e nos comprometemos a continuar trabalhando para merecer essa confiança, avançando na ciência da saúde mental todos os dias.
 

Atenciosamente,

Henry Mahncke
CEO Posit Science

Analgesia: uma vida sem dor

post 35 (analgesia)
 
A capacidade de sentir dor é extremamente importante, pois sem ela não saberíamos quando estímulos externos estão nos prejudicando ou quando há alguma coisa errada no nosso corpo. Por esta razão, as pessoas nascidas com analgesia – uma condição que impede a sensação de dor – enfrentam perigos consideráveis ​​em suas vidas, uma vez que elas estão propensas a se colocar em risco físico involuntariamente. No entanto, uma equipe de pesquisadores da University College de Londres pode ter encontrado uma solução para o problema. Uma droga, normalmente usada para reverter overdoses de opiáceos, permitiu que uma mulher de 39 anos de idade pudesse sentir dor pela primeira vez, de acordo com o artigo publicado na revista Nature.

 

A analgesia é causada por uma mutação de um gene chamado SCN9A, que codifica os canais – especificamente Nav1.7 – que facilitam o transporte de sódio através de nervos sensoriais, permitindo a transmissão de sinais de dor para o cérebro. Sem esses canais, esses sinais não podem ser transmitidos, impossibilitando a sensação de dor. Curiosamente, uma vez que os canais Nav1.7 também são encontrados em neurônios olfativos, sua ausência às vezes pode resultar em uma incapacidade de sentir cheiros – uma condição conhecida como anosmia.

 

Através da engenharia genética de ratos, visando a inibição da expressão do SCN9A, os pesquisadores observaram que além de conseguirem evitar a formação de canais de Nav1.7, eles também estimularam um aumento de peptídeos opióides endógenos, que são sequências curtas de aminoácidos produzidas naturalmente no interior do corpo e que ligam-se aos receptores de opióides no cérebro, a fim de embotar os sentimentos de dor – bem como os fármacos opióides, tais como a heroína. Desta maneira, a hipótese é de que a insensibilidade crónica à dor pode ser causada parcialmente por um aumento em peptídeos opióides e parcialmente pela ausência de canais de Nav1.7.

 

dor de cabeça

 

Os neurocientistas decidiram então administrar uma droga chamada naloxona, a qual se liga aos receptores de opióides no cérebro de modo a bloqueá-los, impedindo assim que os péptidos opióides produzam um efeito analgésico. Devido a este mecanismo de ação, a naloxona é tradicionalmente utilizada como um meio de reverter os efeitos de overdose de drogas opiáceas.

 

Depois da administração da naloxona, os investigadores testaram as respostas à dor dos ratos através da aplicação de calor e pressão para as patas, a fim de ver se isso iria fazê-los retirar os seus membros. O que eles descobriram foi “uma dramática reversão da analgesia e recuperação dos limiares de dor térmica e mecânica”, devido ao uso de naloxona.

 

Levando a experiência um passo adiante, eles recrutaram uma paciente que sofre de analgesia para participar de uma repetição do experimento. Depois de verificar que a participante era “completamente inconsciente” do calor que estava sendo aplicado à sua pele em condições normais, eles administraram a naloxona. O resultado foi bem-sucedido: a mulher foi capaz de detectar o estímulo em 80% das vezes.

 

Dor_Cronica (juntas)

 

O neurocientista John Wood, que é co-autor desse estudo, afirma que a pesquisa também pode ajudar os a desenvolver novas terapias para aliviar a dor de quem sofre de doenças como a artrite. Curioso, segundo ele, é que a mulher que participou do experimento “gostou muito” da experiência de sentir dor pela primeira vez.

9 Sinais de que você é mais inteligente que a média da população

einstein PB

 

O que torna alguém inteligente? O que pessoas inteligentes têm em comum?

 

Cientistas vêm investigando essa questão há décadas e as pesquisas sugerem que, desde o leite materno até o tamanho da sua cintura, pode ter influência na sua inteligência.

 

1 – Você não fuma
Um estudo israelense comparou o QI e o status de fumante e não fumante de 20 mil jovens do sexo masculino entre 18 e 21 anos. Os resultados foram os seguintes: Fumantes tinham o QI médio de 94 enquanto que os Não-Fumantes tinham um QI de 101. Os Fumantes que consumiam mais que um maço por dia, tinham um QI médio de 90. Nos testes com irmãos gêmeos, aqueles que não fumavam eram mais inteligentes. Confira aqui o estudo na íntegra.

 

2 – Você já estudou música
Um estudo de 2011 revela que a inteligência verbal de crianças entre 4 e 6 anos de idade aumentou após um mês de aulas de música.

 

Outro estudo de 2004 revelou que crianças de 6 anos de idade que estudaram piano por 9 meses tiveram seu QI aumentado comparado com crianças da mesma idade que fizeram aulas de teatro ou que não fizeram nenhuma aula em específico.
Contudo, talvez esses pesquisadores podem ter entendido essa questão ao contrário, conforme sugere um estudo mais recente (2013), que revelou que crianças mais bem-sucedidas tendem a querer estudar música.

 

3 – Você é o(a) filho(a) mais velho(a)
Os filhos mais velhos tendem a ser mais inteligentes e isso não é por causa da genética. Estudo publicado em 2007 mostra que os filhos mais velhos possuem QI um pouco mais elevado – em média 3 pontos mais elevado que seu irmão mais novo. Esse fato não está relacionado a fatores biológicos, mas sim às relações psicológicas entre pais e filhos. Por essas razões, os primogênitos tendem a ser mais inteligentes que seus irmãos.

 

4 – Você é magro(a)
Em estudo de pesquisadores franceses – publicado em 2006 – os cientistas aplicaram testes de inteligência para 2.200 adultos num período de 5 anos. O estudo sugeriu que quanto maior fosse a cintura dos participantes, menor eram suas habilidades cognitivas. Os pesquisadores relatam que pessoas com um Índice de Massa Corporal (IMC) de 20 ou menos eram capazes de se lembrar de 56% das palavras num teste de vocabulário, enquanto que aqueles que eram obesos, com IMC maior ou igual 30, conseguiam se lembrar apenas de 44%. Os participantes mais obesos também demonstraram um declínio cognitivo maior quando foram testados novamente 5 anos depois do primeiro teste. Sua taxa de acertos caiu para 37,5% enquanto que os participantes saudáveis mantiveram seus resultados. Um corpo saudável está mais relacionado com uma mente também saudável.

 

5 – Você tem um gato
Um estudo de 2014 descobriu que pessoas que se preferiam cachorros como animais de estimação eram mais extrovertidas que pessoas que preferiam gatos. Mas advinha o que eles descobriram: Pessoas que preferiam gatos tiveram um melhor desempenho nos testes de inteligência.

 

6 – Você foi amamentado(a)
Em estudo de pesquisadores da Duke University, envolvendo mais de 3.000 participantes na Grã-Bretanha e na Nova Zelândia, o aleitamento materno foi relacionado com o aumento da inteligência numa média de quase sete pontos de QI quando as crianças tinham uma versão específica de um gene chamado FADS2. Este gene está envolvido no controle das vias de ácidos graxos, “podendo ajudar as crianças a utilizarem melhor o leite materno e promover o desenvolvimento do cérebro, que é associado a um QI mais elevado”.

Descobrir o mecanismo exato desta relação entre FADS2, aleitamento materno e QI exigirá um estudo mais aprofundado, conforme os cientistas observaram em novo estudo de 2007.

 

7 – Você já usou drogas recreativas
Estudo de 2012 que analisou mais de 6 mil britânicos nascidos nos anos 50 descobriu um link entre um QI mais elevado na infância e o uso de drogas ilícitas na vida adulta. “No nosso estudo baseado numa grande população, o QI aos 11 anos de idade estava associado com uma probabilidade de uso de algumas drogas ilícitas específicas 30 anos depois”, afirmam os pesquisadores.

 

8 – Você é canhoto (a)
Enquanto o fato de ser canhoto costumava ser associado com criminalidade, estudos mais recentes associam esse traço com “pensamento divergente”, uma forma de criatividade em que a pessoa é capaz de ter ideias criativas ou não tão óbvias a partir de um estímulo. Em artigo de revisão de 1995, a repórter Maria Konnikova do New Yorker escreve que “quanto mais marcante era o traço de canhoto em participantes do sexo masculino, melhores eram seus resultados em testes que avaliam o pensamento divergente. Os canhotos eram mais hábeis na combinação de dois objetos comuns em novas formas para formar um terceiro – como por exemplo, usando um poste e uma lata para fazer uma casa de passarinho. Eles também se destacaram no agrupamento de listas de palavras em maiores números de categorias alternativas possíveis.” Talvez por isso que os canhotos estão tão bem representados na arquitetura e na música.

 

9 – Você é alto(a)
Assim como ser canhoto, o fato de ser alto já foi fortemente debatido como um traço em indivíduos mais inteligentes. Há estudos que suportam essa especulação. Estudo realizado pela Universidade de Princeton por exemplo indica que “aos 3 anos – antes do período escolar – e por toda a infância, crianças mais altas obtinham performances muito melhores em testes cognitivos”

A mais complexa máquina do universo? O que torna nossos cérebros únicos?

dna brain 1

 

Nossos cérebros são uma das maiores conquistas da evolução natural, com suas muitas regiões, configurações únicas de células e padrões de conectividade que, associados, conferem-nos incríveis capacidades mentais e habilidades cognitivas.

 

Mas o que os genes humanos possuem que tornam este órgão tão distinto em relação aos outros?

 

Pesquisa publicada recentemente por neurocientistas do Instituto Allen (Seattle-EUA), oferece agora novos indicadores, ao descobrir que um pequeno número de padrões de expressão gênica – primeiro estágio de um processo que decodifica a informação contida no DNA de uma célula – parece predominar no cérebro. E que esses padrões parecem ser comuns ou são conservados entre os seres humanos.

 

“Diversas pesquisas focam nas variações entre indivíduos, mas nós invertemos essa pergunta para saber o seguinte: o que nos torna semelhantes?”, explicou o pesquisador-chefe do instituto, Ed Lein. “Qual é o elemento conservado entre todos nós que dá origem às nossas habilidades cognitivas e traços humanos originais?”, completou.

 

O raciocínio por trás dessa abordagem é que, se há algum padrão principal da expressão gênica em todos os seres humanos, um que pareça ser verdadeiro para várias regiões do cérebro, então talvez esta rede “padrão” de genes poderia nos ajudar a entender como a estrutura e a função do cérebro são tão conservadas. Com isso, os cientistas poderiam analisar desvios que poderiam ajudar a explicar vários problemas de saúde mental ou doenças que afetam o cérebro, como a esquizofrenia ou a epilepsia.

 

Dna Brain

 

 

Se um gene é expresso, basicamente isso significa que ele está “ligado”, sendo ativamente transformado em uma proteína pela maquinaria da célula. Para buscar a existência de padrões de expressão no cérebro, os pesquisadores fizeram uso de um banco de dados de acesso livre chamado de Allen Human Brain Atlas. Vasculhando os genes de diversos cérebros, a equipe visou identificar aqueles com padrões de expressão consistente em diferentes estruturas, 132 das quais foram analisadas. Em seguida, eles olharam para as relações entre esses genes e também a respectiva função cerebral e ligação com doenças.

 

Descrevendo suas descobertas na revista Nature Neuroscience, apesar de haver cerca de 20 mil genes em nossos cromossomos, os padrões de atividade cerebral poderiam ser caracterizados por apenas 32 “assinaturas” de expressão. Essas “assinaturas” representam tipos de células diferentes, os componentes no interior das células e também as ligações com doenças, tanto as doenças do desenvolvimento neurológico (como o autismo) quanto as neurodegenerativas (como a doença de Alzheimer).

 

Os resultados dessa pesquisa – publicados no último dia 17 – além de ajudarem a desvendar os mecanismos genéticos subjacentes que tornam o nosso cérebro único, poderão ajudar a encontrar novos tratamentos para doenças que afetam este órgão.

Por que se consome álcool exageradamente?

Caneca de cerva espumada coracao

 

 

 

“Eu só vou beber uma cervejinha …”. Quantas vezes nos iludimos com essa frase? É bom ver que muitos de nós tem fé de que pode recorrer à força de vontade para recusar a oferta de mais uma bebida, mas na maioria das vezes devemos aceitar o fato de que raramente conseguiremos tomar apenas uma cerveja – ou qualquer que seja sua bebida favorita!

 

Mas o que impulsiona o comportamento de busca pelo álcool?

 

Os cientistas começam a desvendar lentamente essa história. Segundo novo estudo publicado no Journal of Neuroscience , o álcool altera tanto a estrutura quanto a função de um grupo específico de células numa região do cérebro que tem a função de controlar comportamentos guiados por objetivos. Em última análise, as alterações fizeram com que estas células se tornassem mais excitáveis, levando então ao envio de sinais que criam um desejo impulsivo de mais bebida.

 

A descoberta – feita por pesquisadores da Texas University – surge na sequência do trabalho anteriormente desenvolvido pelos mesmos cientistas, que descobriram que o álcool facilita um processo neuronal importante em células localizadas na área do cérebro chamada de estriado dorsomedial (EDM). Este processo, chamado de plasticidade sináptica, envolve alterações na resistência das conexões entre neurônios (sinapses) através das quais as informações fluem.

 
Tequila com limão
 

Para aprofundar um pouco mais, a equipe trabalhou com ratos geneticamente modificados para que a maioria das células que compõem o EDM – chamadas de neurônios espinhosos médios – aparecessem fluorescentes durante os testes. Esses neurônios, parecidos com finas aranhas, possuem muitas estruturas ramificadas e pequenas saliências chamadas de espinhas, que servem como ponto de entrada. Eles também são adornados com um dos dois tipos de receptores para a substância química cerebral do prazer – a dopamina, da qual já falamos aqui no Neuroblog, em diversos artigos anteriores –  e assim podem ser chamados como neurônios D1 ou D2. Os neurônios D1 estão envolvidos em uma via de “Go”, que incentiva a ação, enquanto os D2 fazem o contrário e conduzem o comportamento “No-Go”, ou seja, inibem a ação.

 

Enquanto já se sabe que dopamina está envolvida no “reforço de drogas”, proporcionando os efeitos de recompensa, o seu papel na dependência tem sido menos evidente. Dito isto, os resultados deste estudo, publicados no Journal of Neuroscience, parecem implicar o receptor D1 em vício. Ao expor repetidamente ratos ao álcool, seja por meio de administração sistêmica ou consumo direto, os pesquisadores descobriram que os neurônios D1 tornaram-se mais excitáveis, exigindo menos estímulo para disparar.

 

“Se esses neurônios são mais excitados, você vai querer beber álcool”, disse o principal autor, Jun Wang. “Você vai ter sempre um desejo muito mais forte.”

 

alcoholic drinks

 

Assim, quando os neurônios D1 são ativados, eles controlam os comportamentos “Go”, que neste caso é uma ação que vai aumentar a ingestão de álcool. Mas isso leva a um ciclo vicioso: mais bebida diminui ainda mais o limite de ativação, que por sua vez impulsiona o comportamento de beber mais.

 

Os pesquisadores acreditam que isso poderia estar relacionado às mudanças estruturais nos neurônios espinhosos que o álcool parece desencadear. Comparados com os controles, os ratos que “bebiam todas” tinham ramos mais longos e maduros, espinhas “em forma de cogumelo” em seus neurônios D1, que são importantes para a memória de longo prazo. É interessante notar, no entanto, que o número de espinhas não era diferente entre os dois grupos. Mas quando eles olharam para os neurônios D2, as mesmas diferenças na maturidade das espinhas não foram observadas.

 

Uma vez que tais alterações na morfologia das espinhas desempenham um papel importante na plasticidade sináptica e têm sido associadas com o processo de aprendizagem e de memória, os investigadores pensam que estas adaptações causadas pelo uso da bebida podem conduzir ao desenvolvimento do alcoolismo. Embora isso possa ser uma doença ainda pouco compreendida, estas descobertas podem abrir novos caminhos para a investigação de tratamentos potenciais. E isso pode não estar tão fora de alcance, porque a equipe descobriu que ao bloquear parcialmente o receptor D1 com uma droga, houve realmente uma supressão no consumo de álcool nos ratos, mas isso não ocorreu quando o D2 foi inibido.

 

“Meu objetivo final é entender como o cérebro do viciado funciona”, disse Wang, “e uma vez que consigamos entender isso, um dia, nós vamos ser capazes de suprimir o desejo por outra rodada de bebidas e interromper os ciclos de alcoolismo.”