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O que o consumo de cigarros tem a ver com psicoses?

30 de Julho, 2015 –

 Novo estudo relaciona tabagismo à esquizofrenia.

Esquizo e tabaco

Estudo publicado este mês na revista The Lancet Pyschiatry sugere que fumar tabaco pode ser um fator modesto de causa ou predisposição para a psicose. Ao completar uma meta-análise de 61 estudos, cientistas descobriram que 57% das pessoas que foram diagnosticadas pela primeira vez com psicose eram fumantes. A associação entre a psicose e o tabaco já vem sendo observada por um longo tempo. Só na Inglaterra, 42% dos cigarros são consumidos por pessoas com problemas de saúde mental e, nos Estados Unidos, 80% das pessoas com esquizofrenia fumam, em comparação com uma média nacional de 20%.

 

Considerava-se que pessoas portadoras de esquizofrenia são mais propensas a fumar para aliviar um pouco o sofrimento causado pela doença, mitigando alguns sintomas tais como dificuldade de raciocínio, e combatendo também os efeitos colaterais dos medicamentos antipsicóticos – com um efeito de automedicação.

 

“Estes resultados põem em cheque a hipótese de automedicação, sugerindo que o tabagismo pode ter um papel causal na psicose”, disse um porta-voz do King College de Londres, onde foi realizado o estudo. “Os pesquisadores descobriram que os fumantes diários desenvolveram a doença psicótica em torno de um ano antes do que os não-fumantes”, completou.

 

Acredita-se que um excesso de dopamina no cérebro seja a melhor explicação de psicoses como a esquizofrenia, uma vez que o excesso dessa substância na parte frontal do cérebro pode causar delírios e alucinações. Esta teoria é apoiada por evidências de que drogas bloqueadoras da dopamina ajudam a amenizar esses sintomas, enquanto que drogas que aumentam a liberação de dopamina pode agravá-los. A nicotina, por sua vez, faz com que o cérebro libere mais dopamina.

 

Cigarreira

 

Segundo o Dr. Michael Owen, da Universidade de Cardiff, o desenvolvimento da doença mental é um processo complexo e separar os diferentes fatores que podem contribuir é uma tarefa muito difícil. Os pesquisadores ressaltam que, embora possa haver tal relação causal, os resultados não são conclusivos e mais pesquisas precisam ser feitas.

 

“Este novo estudo combina dados científicos publicados anteriormente em uma análise estatística que aponta que fumar parece aumentar modestamente o risco de desenvolver esquizofrenia mais tarde na vida”, diz Michael Bloomfield, professor clínico em psiquiatria da University College London.”No entanto, mais pesquisas são necessárias antes que os cientistas possam afirmar com certeza que fumar definitivamente aumenta o risco de esquizofrenia, uma vez que é possível que as pessoas que desenvolvem a esquizofrenia sejam mais propensas a começar a fumar”, completou.

 

Você sabia que a NeuroForma Tecnologias apóia estudo no Instituto de Psquiatria da UFRJ com seus neurogames, para ajudar a combater déficits cognitivos em pessoas portadoras de esquizofrenia? Saiba mais aqui .

Reaprendendo a andar de bicicleta?

28 de Julho, 2015 –

Neuroplasticidade: aprender a reaprender andar de bicicleta.

bicicletainvertida

 

Andar de bicicleta é uma  habilidade que a maioria de nós aprende ainda criança e que  fica conosco pelo resto da vida. Depois que aprende, nunca mais esquece, correto? Mas, e se houvesse um tipo especial de bicicleta que faria você perceber que toda a habilidade que você desenvolveu e aprendeu no passado não serve mais? E que você terá que reaprender a andar de “bike” novamente?

 

Você pode pensar que eu estamos sendo levianos, mas não! Existe de fato uma bicicleta que ninguém consegue andar a menos que desaprenda como andar de bicicleta normalmente.

 

O experimento é do engenheiro Destin, do site Smarter Every Day. Com a ajuda de colegas de profissão ele projetou uma “bicicleta invertida” que teve seu guidão modificado de forma que se você o vira para a esquerda, a roda gira para a direita e vice-versa. Parece simples de andar, certo? Mas não foi bem assim…

 

Acontece que andar nessa bicicleta é algo muito difícil de se fazer. Potencialmente tão difícil quanto aprender a andar de bicicleta pela primeira vez. Destin gravou tudo em vídeo, durante 6 meses, para demonstrar e explicar como funciona o processo de aprendizagem na bicicleta invertida. 

 

Basicamente o que ocorre é que o nosso cérebro não pode usar os mesmos mecanismos utilizados para andar na bicicleta normal. Desta maneira, ele precisa “esquecer” como andar na bicicleta regular para aprender a andar na bicicleta invertida. Esse reaprendizado, como sabemos, envolve a prática regular, o treinamento, a atenção e repetição, fatores essenciais que são bases da neuroplasticidade – capacidade de o cérebro se modificar mediante estímulos -, e que pode ocorrer em qualquer idade.

 

Confira esse incrível experimento que mostra algumas peculiaridades de como nosso cérebro funciona no processo de aprendizado e reaprendizado – mesmo que você ainda não saiba como andar de bicicleta…☺

 

https://www.youtube.com/watch?v=MFzDaBzBlL0

Músicas-chiclete? Saiba mais sobre seu imaginário musical involuntário

23 de Julho, 2015 –

Músicas-chiclete? Saiba mais sobre seu imaginário musical involuntário.

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Vivemos expostos a muita música em nosso cotidiano, seja através do rádio, dos nossos dispositivos eletrônicos, em lojas ou até mesmo ao interagir com pessoas cantarolando pelas ruas. Daí, muitas vezes é comum uma ou outra música ficar gravada em nossas mentes. Ela implacavelmente retorna aos nossos cérebros sem o menor gatilho ou aviso e não há nada que se possa fazer, a não ser começar a cantarolar a bendita melodia novamente.

 

Esse fenômeno – chamado de imaginário musical involuntário (do inglês ‘involuntary musical imagery ou, na linguagem coloquial em português, “músicas-chiclete”) – é uma experiência comum, mas pessoas com certos traços de personalidade, como o neuroticismo (traço de personalidade que pode levar a neuroses), podem ter esse tipo de experiência com maior frequência.

 

Embora essa experiência seja muita conhecida, sua base neural era um mistério. De acordo com estudo publicado recentemente no periódico ScienceDirect, a frequência desse fenômeno está relacionada com a espessura das regiões do cérebro relacionadas com as imagens musicais, ou a capacidade de imaginar sons ausentes. Além disso, sua ocorrência e processamento estão associados com áreas envolvidas com emoções e memória.

 

Enquanto alguns de vocês podem estar pensando que este é um assunto trivial para passar o tempo, os neurocientistas estão interessados ​​em descobrir não só porque este fenômeno é onipresente e complexo, mas também porque ele pode impulsionar o nosso estado de espírito e emoções. Outras pesquisas já indicaram que cerca de 40% dos nossos pensamentos diários não estão sob controle voluntário consciente, e o imaginário musical involuntário é uma das formas mais comuns de cognição espontânea.

 

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Neste novo estudo, os pesquisadores inscreveram 44 pessoas saudáveis do sexo masculino e feminino com idade variando de 25 a 70 anos. Nenhum dos voluntários possuía histórico de lesão neurológica ou perda de audição e nenhum deles eram músicos experientes.

 

Depois de completar uma pesquisa sobre suas experiências pessoais de imaginário musical involuntário incluindo sua frequência, além do seu envolvimento com a música (a fim de que as diferenças entre os participantes e suas experiências musicais pudessem ser controladas), os pesquisadores avaliaram os cérebros dos participantes usando um aparelho de ressonância magnética. Em particular, eles estavam procurando por diferenças morfológicas, tais como maiores volumes de tecido cerebral em áreas específicas que já haviam sido associadas com o imaginário musical involuntário.

 

Conforme fora descrito no periódico, eles encontraram uma correlação entre a frequência do fenômeno de imaginário musical involuntário e a espessura do córtex cerebral em duas regiões do cérebro: o giro direito de Heschl (HG) e no giro frontal inferior direito (IFG). Curiosamente, o primeiro era previamente ligado com a percepção auditiva ou como o nosso cérebro interpreta os sons que ouvimos, e também o imaginário musical voluntário, a versão consciente do imaginário musical. Esta última área, por outro lado, acreditava-se que ela estaria envolvida na nossa memória de pitch (grau de quanto agudo ou grave um som pode ser).

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Surpreendentemente, eles descobriram que, na verdade, as pessoas que apresentaram redução da espessura no HG direito tenderam a experimentar o imaginário musical involuntário com mais frequência, o que vai contra o senso de que  músicos e especialistas em música tendem a ter córtex mais espesso do que não- especialistas.

 

Uma correlação negativa também foi observada para o IFG direito, mas isto faz sentido porque esta região desempenha funções inibidoras no cérebro que podem reduzir a atividade espontânea em outras áreas. Portanto, se a zona é reduzida em espessura, em seguida, a sua ação inibitória também pode ser reduzida e aumentar assim a frequência do imaginário musical involuntário.

 

Por fim, os pesquisadores encontraram ainda uma relação entre a utilidade do imaginário musical involuntário para desempenhar atividades diárias e o volume de tecido cerebral em uma região crítica para a formação da memória útil, chamada de córtex hipocampal. No geral, os pesquisadores concluíram que o “imaginário musical involuntário é uma experiência comum interna que recruta circuitos cerebrais envolvidos na percepção, emoções, memória e pensamentos espontâneos”.

O que bolas de papel amassado tem a ver com o formato do nosso cérebro?

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14 de Julho, 2015 – Cérebros maiores tendem a ser mais enrugados do que cérebros menores e, por causa disso, os cientistas acreditavam que o grau de dobragem tinha a ver com o número de neurônios. Estudo publicado na revista Science deste mês pelo físico Bruno Mota e pela neurocientista Suzana Herculano-Houzel, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), demonstrou que a quantidade de dobras do cérebro não tem nada a ver com o número de neurônios e sim com a área de espessura e superfície do córtex cerebral.

 

A equipe da UFRJ utilizou grandes conjuntos de dados comparando o número total de neurônios de diferentes espécies de animais, bem como a área de superfície cortical, espessura, volume cerebral e a quantidade de dobraduras. Eles desenvolveram uma única equação matemática que explica a razão da aparência apresentada dos cérebros de mamíferos de várias espécies. A equação mostrou que quando o córtex é mais espesso, haverá menos dobras, mas quando o córtex é mais fino e possui mais área de superfície, ele apresentará mais dobras.

 

Cérebro e dobras nos animais

 

Os pesquisadores notaram que a equação é muito semelhante àquela que governa a dobragem de papel. “Se você pudesse desdobrar um cérebro e, em seguida, dobrá-lo novamente, a superfície iria agir de maneira muito parecida com o papel, que dobra sobre si mesmo ao invés de se ligar ou grudar como o ocorre com a argila”. Suzana Herculano-Houzel, co-autora do estudo, conta que teve essa percepção ao sentar-se à mesa de sua sala de jantar amassando pedaços de papel de diferentes tamanhos e espessuras. “Papéis mais grossos tinham menos dobras quando amassados. Já papéis finos com a área de superfície maior, dobravam sobre si mesmos mais facilmente”.

 

Apesar do fato de que possuir mais dobras não significa ter mais neurônios, as dobras têm suas vantagens. Maior número de dobras corticais diminuem a quantidade de tempo que leva para a transmissão de sinais neurais, resultando assim em funções cerebrais mais rápidas.

 

“Esta pesquisa nos dá insights sobre uma doença do cérebro chamada de Lisencefalia, a qual o cérebro é liso como um córtex desdobrado. As crianças com essa condição geralmente têm atrasos de desenvolvimento e outras limitações cognitivas. Ao invés de tentar encontrar algum gene ‘para dobrar’ o cérebro, esta pesquisa sugere para aqueles que estudam lisencefalia, que olhem para os genes que controlam a espessura e a área de superfície do cérebro” , completa a co-autora do estudo.

Como usamos a neuroplasticidade a seu favor?

08 de Julho, 2015 –

Como usamos a neuroplasticidade a seu favor?

telasFRONTAIS

Muitas pessoas perguntam sobre as bases científicas dos nossos exercícios cognitivos virtuais e como eles podem proporcionar benefícios na vida real. Confira abaixo um resumo com os principais tópicos sobre o assunto!

 

Os exercícios da plataforma on-line BrainHQ foram desenvolvidos com base na ciência da neuroplasticidade, também chamada de plasticidade cerebral, que é a capacidade natural do seu cérebro se reorganizar ao longo da vida. O cérebro está sempre mudando, às vezes para melhor e às vezes para pior. Os exercícios agem como um guia que direciona essas mudanças de maneira positiva para que elas possam melhorar o seu desempenho no cotidiano.

Sabemos que essa não é uma tarefa simples para um pesquisador de plasticidade cerebral. Temos obtido ajuda para a criação desses exercícios de mais de uma centena de neurocientistas, psicólogos e outros especialistas do cérebro. Essas contribuições vem nos ajudando a desenvolver um programa de condicionamento cerebral que contempla quase todas as faculdades mentais que podem ser aperfeiçoadas para se ter uma vida melhor.

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Concepção dos exercícios

Os exercícios geram benefícios para a atenção, memória, agilidade de raciocínio, habilidades sociais, entre diversas outras funções cerebrais importantes ao nosso dia a dia. Alguns dos exercícios exercitam essas habilidades diretamente e você poderá perceber que eles ajudam a melhorar o funcionamento do seu cérebro à medida que você os pratica. Outros exercícios desafiam você a melhorar suas capacidades sensoriais básicas – tais como diferenciar tipos de sons ou detectar rapidamente objetos na tela. Há uma boa razão para incluir esses exercícios quando você estiver treinando seu cérebro. Sabe porquê?

A nitidez começa com os sentidos

img-sentidosNossos olhos, ouvidos e outros órgãos sensoriais constantemente enviam informações para o cérebro. Nossos cérebros usam essas informações para construir as nossas experiências e memórias, das coisas mais magníficas – o rosto de um ente querido, as férias da sua vida, uma proposta de casamento – às coisas mais cotidianas – o nome de um conhecido, uma lista de compras, o caminho até uma loja próxima.

Quanto mais claramente o nosso cérebro registra uma informação, melhor podemos responder à ela e armazená-la para que possamos nos lembrar e usá-la posteriormente. É importante que o seu cérebro faça um bom trabalho com todos os pequenos detalhes do que você vê ou ouve. A perda desses detalhes resulta na maioria das vezes em erros e confusões que podem te limitar . Um cérebro que perde muitos detalhes acaba ficando mais lento. Porém, se o seu cérebro está confuso e impreciso em suas operações mais elementares, todas as suas operações mais elevadas relacionadas ao pensamento e à ação ficarão comprometidas.

Melhorar a representação nítida do seu cérebro a partir dos detalhes do que você vê, ouve e sente é um passo fundamental na melhoria da função global cognitiva do seu cérebro. Por esta razão, muitos dos exercícios BrainHQ são elaborados para aumentar a quantidade de informações sensoriais que o cérebro absorve e melhorar a qualidade com que ele processa e registra essas informações. Essa melhoria tem um efeito em cascata, melhorando todas as funções “superiores” do cérebro que trabalham processando essas informações.

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Raízes saudáveis capazes de absorver nutrientes abundantes e água geram um tronco forte, folhas mais brilhantes e mais frutas. Um exercício cognitivo do programa on-line BrainHQ fortalece o cérebro das raízes para cima. Esta abordagem é diferente de muitos outros, os quais proporcionam estratégias compensatórias, ensinam ao cérebro os “truques” para lembrar, ou treinam o cérebro somente com exercícios de memória diretamente. Uma série de estudos científicos demonstram que tal foco sobre colher os frutos, ignorando as raízes, só tem benefícios limitados.

Problemas Principais

Ao longo da vida, nosso cérebro é capaz de absorver com sucesso uma série de informações a partir de nossos sentidos. Mas para a maioria de nós, nosso cérebro poderia ter um desempenho melhor. Quando chegamos na faixa etária dos trinta anos, seis tendências centrais começam a afetar a função cerebral. Com o tempo, elas têm impactos significativos sobre a nossa memória, o pensamento, foco e atenção. Essas tendências de declínio cognitivo incluem:

  1. Inteligência: Ações e pensamentos “Cansados”
    Nosso cérebro vai diminuindo seu ‘dimmer’ lentamente na medida em que envelhecemos. Pode levar mais tempo para ficarmos prontos em nossas manhãs, e muitas vezes nós podemos nos perceber tendo momentos de desatenção ou sonolência, os quais nos frustram e impedem de tirar o máximo proveito dos nossos dias. Sono ou descanso não restauram nossa vivacidade como antes.
  2. Velocidade: Processamento mais lento
    Nossos cérebros ficam gradualmente mais lentos – mas a velocidade da informação que chega pelos sentidos (visões e sons acontecendo em nossas vidas) não. Com o tempo, o cérebro começa a perder muitos detalhes, tornando mais difícil reagir e lembrar o que nós vimos ou ouvimos.
  3. Precisão: Perda de detalhes
    Como os sulcos de um disco antigo, as vias do cérebro muitas vezes podem ficar mais confusas, arranhadas ou até mesmo distorcidas. Você não pode esperar que o seu cérebro faça uma boa gravação do que está acontecendo quando há tanto ruído na sua trilha sonora, ou quando a gravação do seu cérebro a qual você está acessando está borrada e indistinta.
  4. Reconhecimento: Compreensão mais pobre
    Temos que combinar informações de formas especiais a fim de que possamos compreender e interpretar corretamente as coisas que vemos ou ouvimos. A perda da capacidade de lembrar um nome, um acontecimento, ou fazer uma má interpretação da expressão facial de um amigo é um problema comum na idade mais avançada. A manutenção de habilidades afiadas para reconhecer e interpretar o que estamos vendo e ouvindo é de grande fundamental a medida que a idade avança.
  5. Clareza: A Interferência de um mundo barulhento
    Na nossa juventude, nossos cérebros foram surpreendentemente bons em anular todos aqueles ruídos que vêm do mundo, ou que vêm como uma enxurrada de rupturas, de si mesmo, a partir um cérebro preocupado ou distraído. Mas com a idade, a interferência começa a atrapalhar. Isto é parcialmente devido a uma perda de capacidade de realmente nos concentrarmos.
  6. Gravação: Menor capacidade de controle do aprendizado, ou “à altura das circunstâncias”
    O cérebro utiliza elementos químicos chamados de neuromoduladores para determinar quais informações são importantes para registrar e processar. A cada década que passa, nossos cérebros produzem menos neuromoduladores. Um déficit de neuromoduladores impede a capacidade do cérebro de “gravar” novas informações, em outras palavras, a capacidade do cérebro de aprender e de lembrar. Quando estas tendências se iniciam, nós não notamos os problemas naquele momento, porque nós (inadvertidamente) utilizamos o contexto para preencher o que nós perdemos. Em outras palavras, recorremos à nossa grande experiência de vida para “preencher as lacunas” e dar sentido às informações que estão incompletas. Embora este comportamento compensatório nos ajude na situação imediata, ele não melhora a qualidade da ‘gravação’ (a memória). À medida que os anos passam, as lacunas podem tornar-se grande demais para que o contexto possa preenche-las. Quando isso ocorre, pode ser difícil captar e responder à informação mesmo naquele momento.

Cuidar das raízes é fundamental para manter os benefícios generalizados…

 

Cérebro árvore

Segue abaixo um pequeno resumo dos principais benefícios já cientificamente relatados dos exercícios de BrainHQ:

  1. Elevar o estado de espírito
  2. Acelerar o processamento cerebral
  3. Aumentar a precisão do processamento
  4. Melhorar habilidades de rápido reconhecimento
  5. Eliminar os ruídos que perturbam a sua atenção, precisão sensorial e memória.
  6. Recuperar o poder da maquinaria cerebral que controla sua performance para aprender e lembrar.

A abordagem que vai das raízes para cima enfatiza a generalização ou a extensão dos benefícios para além da tarefa treinada. Exemplo: ao usar um programa em que você pratica a memorização de uma lista de compras, isso pode ajudá-lo a se tornar melhor em lembrar de listas de compras.

 

Com BrainHQ, pode ser que você nunca pratique exercícios que envolvam listas de compras. Ao exercitar as raízes da memória, no entanto, você provavelmente vai descobrir que não só é capaz de lembrar-se de listas de compras melhor, mas também lembrar-se de conversas em geral, tarefas do trabalho, onde você “esqueceu” suas chaves, aquela palavra que está na ponta da língua, mas não sai, enfim.

 

Essa mudança generalizada – ao que chamamos de transferência real da pratica do exercício ao seu cotidiano – é o maior objetivo dos nossos exercícios cientificamente desenvolvidos e testados.

 

Que tal começar a praticar alguns deles? Teste grátis agora mesmo.

NeuroForma lança portal para empresas e profissionais de saúde mental

Portal Grupos

 

30 de Junho, 2015 – A NeuroForma Tecnologias em parceria com a Posit Science (EUA-Califórnia) acaba de lançar no Brasil seu novo portal para administração de grupos na plataforma on-line de treino cognitivo BrainHQ (https://br-portal.brainhq.com/). A nova ferramenta digital foi desenvolvida para auxiliar profissionais das áreas de saúde, educação, recursos humanos (RH), no trabalho de reabilitação, desenvolvimento e aprimoramento de habilidades cognitivas com clientes, colaboradores e pacientes. 

 

Gege G1

“O portal Grupos vem atender a pedidos principalmente de profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, além de especialistas em treinamento e desenvolvimento de RH nas empresas. Através dele podemos monitorar toda performance dos usuários dentro do grupo, indicar as prioridades de cursos e exercícios cognitivos, agendar sessões de treino via email, entre outras funcionalidades”, explica o neurocientista, M.D, PhD, Rogério Panizzutti, fundador da NeuroForma Tecnologias (foto).

 

O novo portal permite ativar e desativar usuários, monitorar a evolução de cada participante do programa de treinamento nas seis habilidades cognitivas disponíveis (atenção, memória, velocidade de processamento, inteligência, habilidades sociais e orientação espacial), e ter amplo acesso aos mapas e relatórios de progressão nos cursos e exercícios – além de uma série de outras funcionalidades de administração e monitoramento on-line (vide abaixo).

 

Painel Administrador Grupos

 


Com mais de 25 anos de especialização em reabilitação cognitiva, a psicopedagoga Teresinha Moreira de Carvalho (foto) conta que vem disponibilizando a plataforma BrainHQ em seu consultório, em Angra dos Reis (RJ), desde fevereiro passado. Foto Psicopedagoga Teresinha

 

– Os exercícios tem enorme potencial de engajamento seja com crianças ou idosos, tanto em condições normais de saúde ou em situação clínica. Todos relatam que gostam muito. Experimentei no final do ano passado e comecei a praticar percebendo mudanças positivas em mim mesma, daí resolvi indicar aos meus pacientes. Tenho percebido resultados diariamente. Inclusive, os exercícios ajudam a identificar quais são as maiores dificuldades cognitivas dos meus pacientes – ressalta Teresinha.

 

A psicopedagoga descobriu o programa na Internet ao pesquisar sobre uma ferramenta acessível que pudesse ajudar principalmente no trabalho de treino e estimulação cognitiva.

 

Fatos e Fotos (psicóloga)

 

– O programa tem uma capacidade de trabalhar várias portas de entrada da aprendizagem, seja visual ou auditiva. Mas há algo que raramente encontramos em programas de reabilitação, que são as atividades que envolvem a leitura, como por exemplo nos exercícios de socialização (foto acima), pois a pessoa tem que ler e depois responder a perguntas sobre o que leu. O portal para administrar o programa para grupos em português vai ajudar ainda mais nosso trabalho – completa.

 

BrainHQ® é a única plataforma on-line de exercícios para o cérebro com mais de 70 estudos e pesquisas científicas publicadas, demonstrando reais benefícios para o desenvolvimento e aprimoramento de habilidades cognitivas. A plataforma conta com mais de 25 exercícios, dezenas de cursos, níveis e desafios projetados por uma equipe de mais de cem neurocientistas e especialistas do cérebro.

 

Para mais informações sobre como ter acesso a nova ferramenta, entre em contato através do atendimento@neuroforma.com.br

Novos estudos sobre videogames e plasticidade cerebral

Videogame neuroracer

 

17 de Junho, 2015 – Estudo já publicado aqui em nosso Neuroblog mostrou que jogares habituais de videogames de ação tem mais massa cinzenta, melhor conectividade, além de maior incremento das funções cognitivas. Nele, o volume do cérebro dos participantes do estudo foi mapeado e quantificado, através de ressonância magnética, e comparado com um grupo controle (participantes que jogavam apenas moderamente).

 

Outro estudo na mesma linha, intitulado “Playing Super Mario Induces Structural Brain Plasticity: Gray Matter Changes Resulting from Training with a Commercial Video Game” ou em tradução livre “Jogar Super Mario induz plasticidade cerebral estrutural: alterações da massa cinzenta resultantes de treinamento com um jogo de vídeo game comercial” foi realizado no Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano e Medicina da Universidade de Charité, em Berlim. 

 

Os pesquisadores desse estudo apontam que os benefícios dos jogos poderiam ser úteis em intervenções terapêuticas voltadas para transtornos psiquiátricos. Segundo a autora principal, Simone Kühn, os games podem ser uma ferramenta útil para o tratamento de pacientes com problemas de saúde mental em que regiões do cérebro são alteradas ou reduzidas em tamanho, tais como: esquizofrenia, transtorno de estresse pós-traumático (PTSD) ou até mesmo doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer.

 

– Embora estudos anteriores mostrem diferenças na estrutura cerebral de jogadores de videogame, o presente estudo pode demonstrar o nexo de causalidade direto entre jogos de videogame e um aumento volumétrico cérebro. Isto prova que regiões específicas do cérebro podem ser treinadas por meio dos jogos – afirma Kühn .

 

Tanto a neurogênese (crescimento de neurônios) quanto neuroplasticidade (capacidade de o cérebro se modificar) foram observadas no hipocampo direito, córtex pré-frontal direito e no cerebelo. Essas regiões do cérebro estão envolvidas em funções como orientação espacial, formação  da memória, planejamento estratégico e habilidades motoras finas das mãos.

 

– Muitos pacientes aceitam videogames mais facilmente do que outras intervenções médicas -, acrescenta o psiquiatra Jürgen Gallinat, co-autor do estudo. Outros estudos para investigar os efeitos de jogos de videogame em pacientes com problemas de saúde mental estão sendo realizados.

 

Benefícios em habilidades de multitarefas

VideogamesJá pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF) criaram um videogame especializado para ajudar pessoas mais velhas a melhorar habilidades cognitivas como, por exemplo, lidar com várias tarefas  ao mesmo tempo. O neurocientista Adam Gazzaley, da UCSF,  e seus colegas também publicaram suas descobertas na revista Nature

 

No estudo preliminar na UCSF, voluntários saudáveis de ​​idades entre 60 a 85  anos melhoraram suas capacidades de foco e multitarefas. O jogo melhorou a  memória de curto prazo, usada para lembrar de coisas como um número de  telefone de 7 dígitos por tempo suficiente para escrevê-lo. Essas habilidades  cognitivas normalmente diminuem com a idade.

 

O videogame – chamado NeuroRacer – envolve fazer duas coisas ao mesmo tempo.  O jogador usa um joystick para guiar um carro ao longo de uma colina, pela estrada, conduzindo-o e controlando sua velocidade. Ao mesmo tempo, uma série de sinais aparecem na tela. O jogador tem que apertar um botão apenas quando um determinado tipo de sinal aparece. Os participantes do estudo foram avaliados pela rapidez e precisão com as quais reagiram aos sinais corretos.

 

Neurocientistas não envolvidos com essas pesquisas especificamente apontam que estudos anteriores também mostram que pessoas mais velhas podem sim melhorar suas habilidades mentais com treinamento orientado.

 

– Apresentar jogos atraentes pode ajudar as pessoas a aderirem ao treinamento – disse Elizabeth Zelinski, professora na University of Southern California. A chave para a criação de fluxo e superfluidez sempre vai ser o aumento do nível de desafio para corresponder ao seu nível de habilidade a fim de encontrar o ponto ideal entre o tédio e a ansiedade.

 

Jogos para todas as idades

 

Outros estudos apontam que jogos de videogame especializados podem ser capazes de estimular as capacidades mentais de pessoas de todas as esferas de vida e idades. Videogames especificamente projetados podem gerar benefícios para crianças com transtorno de déficit de atenção, para pessoas com transtorno de estresse pós-traumático, depressão ou demência ou lesão cerebral e, claro, pessoas de meia e terceira idades – faixa etária que mais sofre com declínio cognitivo natural -, ressalta o neurocientista Adam Gazzaley.

 

Desta maneira, BrainHQ® vem inovando ao disponibilizar dezenas de jogos cientificamente desenvolvidos para melhorar o desempenho cerebral em diversas habilidades como foco e atenção, memória, velocidade de raciocínio e até mesmo habilidades de direção e orientação espacial. Todos estes jogos são cientificamente testados e comprovados.

 

Para experimentar essas ferramentas e dar uma turbinada no seu cérebro, faça seu cadastro gratuitamente e comece a praticar hoje mesmo!

5 posts em 1: desvendando a química do amor

11 de Junho, 2015 –

Desvendando a química do amor…

Cérebro amando

A investigação da neurociência sobre o amor tem algumas conclusões interessantes que podem te surpreender. Confira a seguir 5 posts!

 

Quando o amor bate para valer

 

A pesquisadora Helen Fisher passou sua vida acadêmica tentando descobrir o que acontece nos cérebros daqueles que estão apaixonados, naqueles momentos inebriantes em que as pessoas sentem “borboletas no estômago”. Helen examinou os cérebros de jovens amantes e descobriu que quando eles focam no objeto de sua afeição, toda uma sequência de partes do cérebro se ativa. Primeiro, ela descobriu que o núcleo caudado – parte primitiva do cérebro basal – é altamente ativo nos apaixonados. Como esperado, ela também viu as áreas do cérebro associadas com a produção de dopamina e norepinefrina se ativarem. A liberação dessas substâncias está associada a atividades prazerosas.

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– Não me admira que os amantes se falem a noite toda ou que escrevam poesias extravagantes e e-mails auto-reveladores, que cruzem continentes e oceanos para estar com a pessoa amanda por apenas um fim de semana ou mudem de emprego, estilos de vida. Encharcados de produtos químicos que conferem foco, resistência e vigor, e impulsionados pelo motor motivador do cérebro, amantes sucumbem a um apelo de cortejo hercúleo – ressalta.

 

Helen também observou que outras partes do sistema de recompensa, como as que são ativadas quando você está comendo chocolate, desempenham um papel durante esta fase do amor. Ela apoia a hipótese de que assim como o que ocorre com o chocolate, estar apaixonado é viciante. A dopamina como se sabe também é liberada quando se consome drogas como a cocaína, por isso que não é surpreendente que – como sugerem outros estudos a respeito dos efeitos da dopamina no cérebro – um término de namoro ruim é como estar no início de uma crise de abstinência.

 

Segredos para um casamento feliz

 

Cerebro coraçao

O pesquisador Ted Huston, por sua vez, é mais interessado em estudar o que acontece em relacionamentos de longo prazo. Um revelação interessante de uma de suas pesquisas é que, ao longo da vida, os casais que idealizavam um ao outro tiveram um casamento bem mais feliz. Para Huston, “ter uma boa opinião sobre o seu par e vê-lo de uma forma melhor do que ele ou ela é realmente, pode ajudar muito”.

 

Huston também encontrou diferenças de gênero nos quesitos necessários para um casamento feliz. Por exemplo, alguns de seus estudos tem mostrado que as mulheres são mais felizes em seu casamento se elas passam muito tempo com o marido, com os amigos e familiares, enquanto os homens que estão felizes com suas finanças tendem a ser mais felizes no casamento. Ambos os sexos são mais felizes quando eles sentem que têm “influência” sobre o seu cônjuge. Provavelmente você já poderia ter adivinhado tudo isso sem precisar saber desses resultados de anos de pesquisa do Huston.

 

Há, é claro, as pessoas que estão juntas há décadas e ainda agem como duas crianças no amor. Ao examinar a atividade cerebral dos “pombinhos” casados há muito tempo, os resultados obtidos se parecem muito com os resultados dos recém-namorados, conforme foi demonstrado por Helen Fisher. Em particular, a atividade cerebral é bem similar em regiões associadas com a motivação, a ansiedade e a recompensa. O pesquisador Arthur Aron e seus colegas observam que “enquanto o amor romântico é um mistério e que a capacidade de mantê-lo pode nunca ser totalmente compreendida, os estudos fornecem evidências sobre o que podem ser atividades essenciais para fazer com que o amor possa sempre durar”.

 

Dicas para manter viva chama da paixão

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Muitos especialistas em relacionamento sugerem que os casais que estão juntos há muito tempo podem manter o romance vivo com noites de encontros românticos regulares. A neurociência nos mostra que a noite de encontro pode ajudar a manter um relacionamento sempre renovado e gratificante, mas se, e somente se, você fizer as coisas do jeito certo. A chave aqui é a novidade: você e seu par devem se engajar em novas experiências que sejam divertidas e emocionantes para que possam ter a dopamina e norepinefrina fluindo e assim recompensar os seus cérebros. Lembre-se de que quando você se apaixonou, a dopamina e a norepinefrina desempenharam relevante fator. As pesquisas neurocientíficas mostram que a novidade é um dos fatores-chave na condução de plasticidade cerebral positiva – que é capacidade de o seu cérebro transformar-se para funcionar melhor.

 

Que tal mudar o seu cérebro ao combinar um encontro romântico num local para fazer escalada ou algum esporte mais radical? Se esportes radicais não são seus tipos preferidos de atividades, talvez você possa levar em conta a proposta do pesquisador e psicólogo Richard Slatcher. Ele descobriu que aqueles casais que saem juntos com outros casais são “mais propensos a ter relacionamentos românticos felizes e satisfatórios.” Poderia ter algo a ver com a quebra da rotina e à introdução de novidades de outras fontes. Então, talvez você ainda possa ir para o mesmo restaurante todas as semanas, mas desde que a reserva seja para 4, e não para dois.

 

Oxitocina, o hormônio do amor?

 

Você já ouviu falar sobre a ocitocina, também chamada de “hormônio do amor? Estudos em humanos e animais mostraram que esse hormônio desempenha um papel na criação de afeto: quando lançada em seu cérebro durante certos tipos de contato humano, ela tem um efeito que cria uma ligação entre você e a outra pessoa envolvida. Isto faz muito sentido, porque sabe-se que a ocitocina é liberada quando uma mulher está amamentando seu bebê, quando duas pessoas estão se abraçando e durante a atividade sexual. Também já vem sendo demonstrado em pesquisas que a ocitocina esteja envolvida em outras respostas emocionais, como na construção da confiança e empatia. Algumas pesquisas sugeriram que a ocitocina poderia ser usada terapeuticamente em pessoas que sofrem de distúrbios como o autismo ou esquizofrenia, doenças que dificultam a ligação e o desenvolvimento de relacionamentos positivos. Em outros estudos, foram obtidos resultados promissores quando se aplicava uma dose do hormônio por meio de spray nasal em tais pacientes.

 

No entanto, as coisas nunca são tão simples como parecem. Pesquisas mais recentes sobre a ocitocina sugerem um lado obscuro para o chamado “hormônio do amor.” Enquanto ela afeta comportamentos positivos de confiança e de ligação, ele também pode provocar comportamentos opostos, como o ciúme, a inveja e a suspeita. Isto sugeriria que, ao contrário da crença anterior, gatilhos de ocitocina amplificariam os sentimentos sociais de todos os tipos, não apenas os positivos. Nas palavras da pesquisadora Simone Shamay-Tsoory, “quando a associação da pessoa é positiva, a ocitocina reforça comportamentos pró-sociais; quando a associação é negativa, o hormônio aumenta sentimentos negativos”. Para o psicólogo Greg Norman isso mostra que a ocitocina não é um hormônio do amor; seus efeitos variam em cada tipo de pessoa. Então, melhor adiar essa coisa de spray nasal para outro momento.

 

Ouça música e evite junk food

cérebro pedaço de coraçao

Será que todo esse papo de romantismo faz você se sentir um pouco entediado? Temos uma boa notícia: um estudo recente mostrou que escutar a sua música favorita tem um efeito semelhante no seu cérebro assim como outras atividades indutoras de prazer, como as relações sexuais. Se você prefere Tchaikovsky, Mozart, Madonna, ou até mesmo um garboso Tango, estudos com ressonância magnética e tomografias revelaram que, quando você ouve músicas que te deixam animado ou relaxado, seu cérebro vai liberando a poderosa dopamina durante os momentos mais emocionantes da música e até mesmo na antecipação desses momentos.

 

Algumas atividades que fazemos podem produzir tanta dopamina que, ao longo do tempo a resposta a ela vai diminuindo, o que significa que você pode perder a capacidade de sentir qualquer tipo de prazer em tudo! Os culpados habituais deste efeito de embotamento da dopamina são drogas como a cocaína e a heroína, o que é uma boa notícia para a grande maioria de nós que não somos viciados em substâncias ilícitas. A má notícia é que, se você é viciado em alimentos gordurosos, a mesma coisa poderia acontecer com você.

 

Em outro estudo, observaram que ao deixar os ratos comerem a quantidade de queijo, bacon, linguiça e outros alimentos gordurosos a vontade, além deles ficarem obesos, as suas respostas à dopamina diminuíram com o tempo. Portanto, uma pequena fatia de doce ou aquele alimento gorduroso que você tanto gosta (de vez em quando) pode manter a sua dopamina fluir no seu corpo, mas o exagero pode ter consequências negativas tanto para o seu cérebro quanto para sua cintura.

 

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Doutor em biologia e monge ensina como treinar o cérebro e ser mais feliz

03 de Junho, 2015 –

A chave da felicidade pode estar no treino cognitivo?

Monge eletro

 

Há 40 anos, Matthieu Ricard abandonou sua carreira acadêmica e mudou-se para a região do Himalaia, onde tornou-se monge. Há 15 anos, ele vem participando de pesquisas sobre os efeitos da compaixão, do altruísmo e da meditação no cérebro humano.

 

No final do mês passado, Matthieu Ricard esteve no Brasil para lançar seu novo livro A Revolução do Altruísmo. Em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, o monge budista – que também é doutor em biologia molecular – revela resultados de diversos experimentos científicos do qual participou e dá dicas de como treinar o cérebro para ser mais feliz. Confira abaixo.

 

Folha – Você é apresentado como o homem mais feliz do mundo. O que isso quer dizer?

 

Matthieu Ricard – (Risos) Isso não quer dizer nada. Trata-se de uma distorção feita por um jornal britânico a partir de uma pesquisa científica sobre os efeitos da compaixão, do amor e da bondade no cérebro, da qual participei, feita pelo neurocientista Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin (EUA). Nela, vários meditadores experientes tiveram seus cérebros escaneados durante a meditação, sendo mapeada atividade intensa e muito poderosa nas áreas relacionadas a emoções positivas. O resultado superou tudo o que já havia sido reportado em neurociência, mas não existe base científica para dizer quem é a pessoa mais feliz do mundo.

 

Folha – O que é felicidade, então?

 

Felicidade é bem-estar. Não é busca incessante por sensações prazerosas. Tudo bem querer sentir prazer, mas é algo efêmero. Felicidade é outro negócio: é realização, satisfação e florescimento. Felicidade é consequência de várias qualidades, entre elas a liberdade interior. Não liberdade para você fazer o que quiser, mas em relação a pensamentos que escravizam. Obsessões, ganância, raiva, ciúmes, arrogância. Depois de 15 anos de pesquisas e encontros com cientistas, cheguei à conclusão que o altruísmo é a mais importante das qualidades que compõem a felicidade.

 

Vivemos num mundo em que parece haver mais individualismo, ganância e corrupção que altruísmo. A gente subestima enormemente o fato que, na vida cotidiana, há muito mais gestos de bondade e gentileza que de agressividade ou maldade. Não prestamos atenção no fato de as pessoas se reunirem nas ruas ou no trabalho sem se estapear a cada cinco minutos. Achamos normal. Mas se em uma ocasião apenas dois colegas de trabalho trocarem socos, isso será assunto para o mês todo.

 

Como podemos ser mais felizes e altruístas, então?

 

Se observar o que faz em um dia, vai ver que é gentil na maior parte do tempo. Um estudo suíço pegou mil pessoas e pediu que catalogassem suas atitudes: 75% eram ações positivas; outra porção era neutra e uma fatia mínima era má ou antissocial. Há uma ideia de que somos naturalmente egoístas e individualistas. Pesquisei mais de 1.600 estudos, e isso não encontra respaldo.

 

Como explicar a noção darwinista de que há competição e conflito pela vida e que apenas os mais aptos sobrevivem?

 

Isso é Herbert Spencer (1820-1903), a luta de todos contra todos. Isso não é Darwin, que fala muito mais de cooperação do que de competição. A tendência mais atual do darwinismo é que, além da óbvia competição, a cooperação foi crucial na evolução. Uma pesquisa feita em 35 países perguntou sobre os dez fatores que mais contribuíam para o bem-estar das pessoas, incluindo riqueza, que ficou em sexto lugar. Em primeiro ficou “qualidade das relações sociais”, e isso tem a ver com comportamentos altruístas.

 

É possível treinar o altruísmo? É algo que deveria ser ensinado nas escolas?

 

Com certeza! Há estudos com crianças de pré-escola. Elas recebem treinamento três vezes por semana, por 40 minutos, de atividades de cooperação e meditação. Após dez semanas, o comportamento se altera e a discriminação com quem é diferente diminui. A meditação apresentada às crianças é secular. Não há religião envolvida. Acabei de voltar de um laboratório de neurociência nos EUA, no qual estamos estudando mudanças no cérebro daqueles que praticam meditação. O resultado: 20 minutos diários por um mês já modificam a estrutura e o funcionamento do cérebro, ativando áreas ligadas a emoções positivas e o volume das áreas ligadas à aprendizagem e ao controle emocional.

 

Como você vê a meditação extrapolando a seara espiritual para ganhar a científica?

 

É importante desmistificar o conceito de meditação, muitas vezes visto como algo exótico. Muita gente acha que meditar é esvaziar a mente e relaxar. Bobagem. A palavra em sânscrito e em tibetano significa “cultivar”. Meditar é cultivar um estado mental. É um treino. O segredo é praticar. Quem toca um instrumento tem de treinar e treinar até desenvolver seu potencial. Ninguém espera tocar piano sem treino. Por que esperar que compaixão, altruísmo, liberdade interior e concentração ocorram magicamente? Não faz sentido.

Como faz sentido então…

Enfatizamos muito o treinamento da mente, o budismo tem muito disso. Pesquisas feitas com eletroencefalograma e com máquinas de ressonância magnética estão apontando para os efeitos do treinamento do cérebro, em cima do sistema imunológico, na diminuição de doenças como a depressão. Não há mistério. Treine, de novo e de novo. Você pode começar com algo fácil, como a concentração em um objeto ou em sentimentos de amor que tem por uma determinada pessoa. Se o pensamento desaparece, você o reaviva. Se a mente se distrai, você a traz de volta. Cinco, dez, vinte minutos diários. Isso é meditação. Quanto mais praticar, mais significativas serão as mudanças no cérebro e no seu comportamento.

Estudo revela novos fatores que podem levar a esquizofrenia

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28 de maio, 2015 – A esquizofrenia (nome proveniente da junção de dois radicais gregos que significam “dividir em dois” e “mente”), ou seja, “mente dividida ou fragmentada”, é um problema de saúde mental de longo prazo com uma série de sintomas que variam entre o pensamento e fala desorganizada até alucinações auditivas e visuais. As causas aparentemente dependem de uma combinação de fatores físicos, psicológicos, ambientais e genéticos. Porém, em estudo publicado no início deste mês, na revista Nature Neuroscience, pesquisadores da Universidade de Duke (EUA) relacionaram três possíveis fatores para a causa da esquizofrenia que anteriormente não estavam relacionados.

 

Os pesquisadores decidiram pesquisar como um gene, no caso o Arp2/3, contribuía para a formação de transtornos mentais. Eles escolheram este gene em particular por ser conhecido pela sua importância na regulação de sinapses (ligações entre os neurônios) e também por já ter sido associado a vários problemas de saúde mental. Os pesquisadores então resolveram suprimir este gene em camundongos e descobriram que os ratos geneticamente modificados apresentaram um comportamento semelhante à esquizofrenia. Além disso, como os seres humanos, os animais pioraram ao longo do tempo, mas reagiam bem quando lhes eram administrado um medicamento anti-psicótico.

 

Quando a equipe – liderada por Scott Soderling – investigou se havia quaisquer alterações físicas ou químicas no cérebro ligadas aos comportamentos observados nos ratos que não possuíam o gene Arp2/3, eles descobriram três anomalias cerebrais – originalmente consideradas como não associadas – que também aparecem em humanos com esquizofrenia.

 

Primeiramente, eles descobriram que as células do cérebro da área frontal – região responsável pelo planejamento e tomada de decisão – tinham menos “espinhas dendríticas” do que normal. Estas são os ramos que ajudam os neurônios a se ligarem entre si. À medida que os ratos envelheciam, eles perdiam mais e mais essas espinhas. Isto é conhecido como a “teoria da poda sináptica”.

 

 

De maneira consistente com o que ocorre com as pessoas que sofrem de esquizofrenia, eles descobriram também que os ratos sem o gene Arp2/3 também tinham neurônios hiperativos na mesma região frontal do cérebro. Era originalmente considerado que os neurônios hiperativos eram incompatíveis com a “teoria da poda sináptica”.

 

Os pesquisadores comprovaram, por fim, que os neurônios hiperativos na região frontal dos cérebros dos ratos modificados geneticamente despejavam grandes quantidades de dopamina. O excesso de dopamina no cérebro desempenha um papel relevante na esquizofrenia, segundo estudos.

 

– A parte mais interessante  foi quando todas as peças do quebra-cabeça se juntaram – , explicou Soderling, autor principal da pesquisa.  – Quando o Dr. Kim e eu finalmente percebemos que estes três fenótipos exteriormente não relacionados – teoria da poda sináptica, os neurônios hiperativos e o excesso de dopamina – eram funcionalmente inter-relacionados uns com os outros, isso foi realmente surpreendente e também muito emocionante para nós – ressaltou.

 

Esta nova visão sobre a base molecular da esquizofrenia oferece esperança para novos tratamentos que são mais direcionados para as causas subjacentes da doença, ao invés de tratar apenas os sintomas.