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Estudo revela como cegos conseguem ‘ver’ sons e sensações com o cérebro

Um grupo de neurocientistas brasileiros jogou luz sobre uma questão que há tempos mobiliza esse campo de pesquisa: como pessoas cegas de nascença ganham capacidade extra para audição, tato e outros sentidos, se não existe espaço extra no cérebro para processar esses sinais? No novo trabalho, o grupo liderado por Fernanda Tovar-Moll, presidente do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), no Rio, rastreou a origem dessa habilidade ao desenvolvimento do tálamo, uma estrutura cerebral que no passado já foi considerada mais “primitiva” que outras.Exaltou invasão em atos golpistas: Com pressão de médicos, CFM abre processo para investigar vice-presidenteCalorias e saúde: Por que a geração Z é a mais sóbria de todos os tempos

É comum que, em algumas pessoas sem visão desde o nascimento, a capacidade de identificar detalhes em sons, texturas ou odores seja mais aguçada. Não está totalmente claro ainda, porém, como essas habilidades são construídas na estrutura física do organismo, pois o cérebro aloca áreas específicas do córtex, uma região “nobre” do órgão onde são processadas informações mais complexas.

Estudos recentes mostraram que nas pessoas cegas, o córtex occipital (área cortical que processa a visão, na parte de trás da cabeça), acaba sendo “colonizado” por neurônios de outras regiões, como o córtex motor, que processa o tato. Cientistas não sabiam como isso ocorria, porém, porque as conexões necessárias para isso não existem em indivíduos adultos, que tipicamente não possuem as mesmas habilidades auditivas e tácteis dos cegos de nascença quando perdem a visão.

— Um estudo clássico do início dos anos 2000 mostra que quando os cegos de nascença leem em braile, eles ativam o córtex visual, quando na verdade eles estão fazendo funções relacionadas ao tato — explica Tovar-Moll. — Mas qual seria a explicação anatômica para entender como esses sentidos ‘conversam entre si’ nas pessoas com deficiência visual?

Esse fenômeno, batizado com o termo técnico de “plasticidade transmodal”, é um reflexo da capacidade do cérebro de se moldar e se adaptar a novas circunstâncias. No caso estudado, ela foi uma resposta à falta de estímulos visuais durante o desenvolvimento, algo essencial para maturar a visão.

Para investigar a questão, o grupo da pesquisadora no IDOR empregou uma tecnologia nova de ressonância magnética, mais precisa que a de exames clínicos tradicionais. Com uma máquina de campo magnético mais potente que as outras, e uma técnica de análise de imagem mais sofisticada, os cientistas foram investigar as principais suspeitas de envolvimento no processo: as conexões neurais do tálamo.

— A gente levantou a hipótese que as conexões poderiam estar sendo misturadas no tálamo, porque ele é uma região onde existe uma espécie de ‘pit stop’ do cérebro — explica. — O córtex visual fica distante do córtex temporal e do córtex motor, mas dentro do tálamo os ‘núcleos talâmicos’, que se conectam com essas partes do córtex, são muito mais próximos entre si.

Para entender as diferenças de estrutura cerebral, Tovar-Moll mapeou na ressonância magnética os cérebros de dez pessoas com cegueira de nascença e de outras dez capazes de enxergar, para efeito de comparação.

Ao mapear as conexões de neurônios do tálamo com neurônios do córtex em espaço menor e mais emaranhado de células, Tovar-Moll e seus coautores conseguiram evidências de que são os estímulos do tálamo que guiam a remodelação de áreas superiores do cérebro. O trabalho foi descrito em artigo dos cientistas no periódico “Human Brain Mapping”.

A pesquisa não gerou nenhum benefício clínico direto, ainda, mas os cientistas afirmam que ao melhorar a compreensão de mecanismos básicos do sistema nervoso, outros estudos estão agora em posição melhor para buscar aplicações do conhecimento gerado.

— Quando a gente trabalha com populações que têm alguma doença ou alguma forma de deficiência, elas compreendem que pesquisa básica também tem que avançar para poder ajudá-las — diz Erika Rodrigues, neurocientista que participou do trabalho — A gente tem mais dificuldade, por incrível que pareça, de conseguir voluntários saudáveis para os protocolos de pesquisa.

É comum que voluntários se interessem em participar das pesquisas em busca de autoconhecimento, algo que os ajuda a lidar com suas diferenças, conta Tovar-Moll.

— Uma vez eu estava apresentando numa palestra o resultado de um trabalho sobre plasticidade cerebral. No final, veio uma pessoa da plateia com uma cópia do estudo na mão e me disse: ‘Lendo do seu artigo hoje, eu entendo como eu me comporto’.

Fonte: O Globo



Novo campo da ciência investiga como a paternidade transforma o cérebro

Não é de hoje que a neurociência mergulha no cérebro feminino para identificar transformações ocorridas durante a gestação, o nascimento e os primeiros anos de um filho. O ponto central das pesquisas era determinar a natureza e a magnitude das alterações que esse período crucial na vida da mulher promove no funcionamento dos circuitos das células nervosas cerebrais. As conclusões já foram capazes de compor um retrato detalhado de como a maternidade molda o cérebro para que corpo e mente cuidem, exclusivamente, da prole — uma imposição evolutiva, que prioriza a sobrevivência da espécie. Um fenômeno recente, porém, veio ampliar o foco dos estudos na área: a crescente participação do pai na criação dos filhos. Essa virada comportamental histórica despertou nos especialistas o interesse em saber se haveria nos pais impactos semelhantes aos provocados nas mães. O campo de estudo é recentíssimo, mas os achados revelam que, sim, as mudanças culturais impulsionam adaptações na forma como o cérebro masculino opera. Em linhas gerais, começa a se comprovar que a cabeça do pai, à sua maneira e em sintonia com os novos tempos, também se molda de forma a acolher e proteger a prole.

O mais recente trabalho sobre alterações no cérebro masculino em consequência da paternidade foi conduzido por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e do Instituto de Investigação Sanitária Gregorio Marañón, de Madri, na Espanha. Usar voluntários de países de culturas tão diferentes daria aos pesquisadores a chance extra de detectar se eventuais modificações estariam relacionadas aos hábitos e crenças de cada um. Foram recrutados quarenta homens — vinte espanhóis e vinte americanos. Todos foram submetidos a exames de ressonância magnética durante a gravidez da parceira e seis meses após o nascimento do bebê. Além deles, dezessete homens sem filho serviram como grupo de controle.

As primeiras alterações detectadas não chegaram a surpreender os cientistas. É natural que o cérebro reaja a novas situações tentando se adaptar e para isso crie caminhos neuronais diferentes. Trata-se de um fenômeno que os neurocientistas chamam de plasticidade cerebral induzida por experiências, um movimento que se verifica, por exemplo, quando se aprende uma língua ou se desenvolve uma nova habilidade. Outras características, no entanto, se mostraram mais intrigantes. Uma delas foi o fato de as transformações detectadas serem exatamente as mesmas em americanos e espanhóis. “Ficamos surpresos em verificar sua ocorrência em homens de países tão diferentes”, disse a VEJA a psicóloga Darby Saxbe, da Universidade do Sul da Califórnia, uma das autoras da pesquisa. A constatação revela, de acordo com Saxbe, que os gatilhos que desencadeiam as mudanças cerebrais masculinas são universais, como também são os fatores que originam modificações no cérebro feminino em qualquer ponto do planeta.

Em mulheres que tiveram filhos, regiões como o sistema límbico, onde se processam emoções e também respostas a ameaças, ganham força. Até por isso, a maior parte do trabalho de cuidado e criação da prole segue sob sua responsabilidade. Mas nas novas gerações, sobretudo as que vivem nos grandes centros urbanos, prevalece agora o entendimento de que a formação dos filhos é uma tarefa para ser dividida entre os dois — um conceito revolucionário em que o homem, pela primeira vez, adiciona à função de provedor a de cuidador. Um levantamento realizado pelo instituto de pesquisas americano Pew Research Center apontou um aumento expressivo no tempo que, nos Estados Unidos, os homens passam com seus rebentos atualmente — cerca de oito horas semanais, em comparação à média de duas horas por semana registrada meio século atrás.

O impacto cerebral gerado pela chegada dos herdeiros se dá de forma diferente entre homens e mulheres. Conforme demonstram as pesquisas, as mudanças nelas começam na gravidez e estão relacionadas à proteção e sobrevivência da prole e à formação de vínculo afetivo imediato. Já nos pais o processo é iniciado em geral após o nascimento, momento em que o cérebro aciona regiões associadas à empatia — é preciso criar ou fortalecer o laço com o bebê —, ao processamento dos sentimentos e ao sistema de recompensa, responsável por cristalizar o prazer de cuidar do rebento. Ao mesmo tempo, são estimuladas nos pais as estruturas que ajudam no planejamento e na execução de ações, bem como os campos que interpretam informações visuais — tudo voltado para que o homem se torne apto a acolher e tomar conta do bebê com rapidez e praticidade. Variações hormonais, comuns nas mulheres, também são observadas nos pais dos recém-­nascidos. O nível de testosterona, hormônio responsável pelas características masculinas e associado a maior agressividade, cai. Em compensação, sobem as taxas de prolactina, que facilita o relaxamento, e de ocitocina, que atua no fortalecimento dos vínculos afetivos.

A extensão e a potência desses processos não são uniformes, uma variação que pode ter a ver com a quantidade de tempo passado com a criança ou com a motivação por trás da interação. Um dado concreto é que as modificações foram mais marcantes entre os espanhóis, que desfrutam dezesseis semanas de licença paternidade, do que entre os americanos, que não contam com uma lei que lhes assegure dias de afastamento remunerado. De modo geral, porém, o impacto da relação pai e filho sobre o cérebro foi menos intenso do que o identificado nas mulheres. Isso sugere que o grau de envolvimento dos homens com sua prole tem espaço para se tornar mais relevante, abrindo a expectativa de relacionamentos mais prazerosos ainda no futuro. A saudável revolução na direção do exercício pleno da paternidade está em andamento. E, do ponto de vista científico, está provado que o cérebro masculino se encontra aberto a se adaptar aos novos tempos.

Fonte: Revista Veja

Bola pra frente: como o cérebro lida com a rejeição após um fora?

Um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriu como o cérebro humano nos ajuda a levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima depois de um fora.Os resultados, que foram publicados no periódico científico Molecular Psychiatry, mostraram que um sistema de receptores opioides localizado no cérebro, que é acionado para liberar substâncias químicas contra dores físicas, também entra em ação quando passamos por situações de rejeição social.

Como o estudo foi feitoPara chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram imagens dos cérebros de 18 adultos, obtidas por meio de ressonância magnética.Antes de ter os cérebros escaneados, os participantes observaram imagens de perfis fictícios em sites de namoro e apontaram os que mais lhes agradaram.Na sequência, durante a obtenção das imagens do cérebro, os participantes eram avisados pelos cientistas que haviam sido recusados pelos perfis escolhidos.Neste momento, foi notada a liberação de uma grande quantidade de substâncias químicas no cérebro, em especial em regiões ligadas à percepção de dor física.

Na alegria e na tristezaO estudo foi pioneiro na investigação do funcionamento do sistema opioide cerebral durante situações de rejeição social.Até então, só se sabia que opioides eram liberados durante situações de estresse social e de isolamento de animais, mas isso ainda não havia sido observado no cérebro humano.Curiosamente, a liberação de opioides também ocorreu quando os participantes do estudo foram avisados de que haviam sido aprovados por algum perfil do site de namoros. Isso sugeriu para os cientistas que essas substâncias são liberadas e absorvidas pelo cérebro tanto em situações de diminuição de dor como de aumento de prazer.

Fonte: David T. Hsu, professor de psiquiatria e pesquisador da Universidade de Michigan, EUA.

A importância de estimular o cérebro da criança até os 3 anos de idade

Diversas pesquisas têm mostrado que, durante os primeiros anos de vida, são estabelecidos os alicerces da saúde mental, do bem-estar e da aprendizagem das crianças. Nesta fase, os mais novos têm a capacidade de aprender com mais facilidade diferentes tipos de competências, sendo fundamental o papel dos pais, familiares ou responsáveis ​​pela educação.

As experiências científicas de diferentes comunidades mostram que populações nas quais a ênfase não tem sido colocada na comunicação, no desenvolvimento da linguagem, na capacidade de expressar afeto, ou de desenvolver padrões lúdicos adequados para cada idade, ou seja, não investem tempo e energia no desenvolvimento dos primeiros anos de vida, estão deixando de investir no potencial cognitivo futuro dessas pessoas.

Os pais são muito importantes na promoção de experiências iniciais que irão enriquecer as habilidades cognitivas, afetivas e linguísticas das crianças. Nos primeiros anos, principalmente entre os zero e três anos, o cérebro da criança é como uma massa moldável, sendo este o momento ideal para gerar todas as conexões necessárias para um crescimento saudável desde a infância até a idade adulta.

Tanto é assim que o desenvolvimento dos primeiros anos de vida terá impacto, por exemplo, no rendimento escolar ou mesmo nas possibilidades de trabalho no futuro. Por esta razão, diferentes tipos-chave de desenvolvimento são distinguidos nesta fase:

Desenvolvimento cognitivo
Inclui a consolidação de várias capacidades de percepção, movimento, pensamento, organização, planejamento e tomada de decisão. Evidências científicas mostram que, para que essas habilidades se desenvolvam adequadamente, as crianças precisam de pessoas que conversem com elas, cantem para elas, olhem para elas, respondam, acolham quando choram e brinquem com elas.

Além disso, os mais novos precisam de rotinas organizadas para as principais atividades de cada dia, receber instruções breves, claras e precisas, bem como ser elogiados sempre que fizerem algo corretamente ou pela primeira vez.

Desenvolvimento afetivo e social
Esse processo está relacionado com a forma como a criança aprende a expressar e controlar suas emoções, entender as dos colegas e se relacionar com outras pessoas. Evidências científicas mostram que, para potencializar essas habilidades, as crianças precisam receber amor, atenção, compreensão e aceitação dos adultos, desenvolvendo assim a confiança em seus pontos fortes.

Desenvolvimento linguístico e comunicativo
Abrange a aquisição das habilidades para reconhecer e produzir sons da fala, compreender palavras e produzir gestos significativos. Nesse sentido, a pesquisa mostra que conversar com a criança para que ela nomeie objetos e pessoas dentro e fora de casa, que aproveita as situações cotidianas para dizer palavras novas e familiares, que a motiva e parabeniza quando usa corretamente uma palavra, estimula o desenvolvimento da linguagem com intenção comunicativa.

Apoio é essencial
Pesquisas realizadas em diferentes países do mundo mostraram que o apoio dos responsáveis ​​pela criação dos filhos com práticas e ferramentas facilitadoras é muito eficaz para favorecer o desenvolvimento das crianças, principalmente daquelas com menos recursos ou que crescem em contextos de pobreza.

Fonte: Jornal Extra

É possível treinar o cérebro para melhorar a audição em situações barulhentas. Saiba como.

Se você é sempre aquele amigo que, durante as festas, fica sorrindo e acenando, com cara de paisagem, porque nunca escuta direito o que seus colegas falam, a ciência tem uma notícia boa para você: pesquisadores descobriram um novo treinamento que ajuda nosso cérebro processar sons ambientes barulhentos.

Especialistas da Universidade de Maryland desenvolveram um exercício que pode ajudar o cérebro humano a melhorar seu recebimento de estímulos sonoros ao longo do tempo, chamado de processamento temporal auditivo.

“Vimos algumas evidências de que esses déficits de processamento temporal podem ser melhorados em modelos animais, mas esta é a primeira vez que mostramos isso em humanos”, diz a neurocientista auditiva Samira Anderson.

O estudo envolveu 40 voluntários que, durante nove sessões de aproximadamente uma hora, foram solicitados a distinguir conjuntos de sons tocados em uma sequência rápida. Esses indivíduos tiveram que identificar mudanças na frequência, apontando tons mais baixos e mais altos nos sons escutados.

Medindo frequências sonoras

Em comparação com grupo controle (particpantes que passaram por exercícios mais simples de identificação de sons), os indivíduos que fizeram exercícios complexos de distinção de frequência mostraram uma melhora em sua capacidade de detectar mudanças de tom e de velocidade dos sons.

A melhora foi constatada tanto em participantes mais jovens quanto mais velhos, com alguns mais velhos, inclusive, apresentando pontuações maiores depois do treinamento do que alguns jovens antes do treino.

Segundo os pesquisadores, os achados do estudo demonstram o potencial do treinamento auditivo para restaurar, mesmo que parcialmente, o processamento temporal em ouvintes mais velhos.

“Os resultados oferecem uma grande esperança no desenvolvimento de programas de treinamento auditivo clinicamente viáveis que podem melhorar a capacidade dos ouvintes mais velhos de se comunicar em situações difíceis”, diz a pesquisadora principal do projeto e fonoaudióloga Sandra Gordon-Salant, também da Universidade de Maryland.

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Fonte: Redação Byte (Portal Terra)

Cérebro da mãe realmente muda para receber o bebê, diz estudo

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (22) na revista científica Nature descobriu que durante a gravidez o cérebro da mãe realmente parece mudar para acomodar o bebê. Segundo os resultados, o período que causa uma “névoa mental” — comumente chamado de “cérebro do bebê” — não é apenas resultado de desconfortoestresse hormonal e noites sem dormir.

O novo estudo foi realizado por pesquisadores holandeses da Universidade de Leiden e aponta ligação entre surtos de hormônios da gravidez e mudanças na arquitetura em áreas do cérebro envolvidas com contemplação e devaneios.

De acordo com a pesquisa, as alterações podem ser a maneira da natureza ajudar as mães a se relacionarem com a nova mudança. 

Durante a gravidez, uma mulher é exposta a uma inundação incomparável de hormônios. A ciência já sabe que os períodos de distração durante a gravidez são universais, informalmente descritos com termos como “cérebro de mamãe” e “mamnésia”. 

No entanto, por mais comum que o fenômeno pareça, os efeitos sutis têm sido notoriamente difíceis de medir.

Elseline Hoekzema, neurocientista de Leiden, pesquisou as mudanças neurológicas que acompanham a gestação humana e animal por vários anos. Em 2016, ela havia mostrado como a gravidez coincidiu com reduções significativas na massa cinzenta, o tecido que transmite mensagens e conduz os cálculos do cérebro.

Mapeando os cérebros das mães

Nesta última análise, a pesquisadora analisou o mapa cerebral de 40 mães com ajuda de ressonância magnética. Com seus colegas, Hoekzema realizou os exames durante a pré-gravidez e pré e pós-parto, incluindo imagens de um ano inteiro após o parto do bebê.

Os resultados foram comparados com imagens semelhantes tiradas de uma amostra de 40 mulheres que não estavam grávidas no momento do estudo.

Na pesquisa, os hormônios foram testados por meio de amostras coletadas da urina a cada duas a quatro semanas durante a gravidez do grupo de teste. O emocional das mães em relação aos bebês — como comportamentos de nidificação (quando uma espécie animal faz seu ninho), padrões de sono e níveis de angústia psicológica — foram analisados por meio de pesquisas e questionários.

Das 40 voluntárias, 28 concluíram o estudo e os pesquisadores observaram que os hormônios da gravidez não apenas ajustam as células “pensantes” do cérebro: eles parecem mudar a maneira como as redes cerebrais se conectam.

Mudanças hormonais nas grávidas

De acordo com os pesquisadores, as alterações são mais evidentes entre as regiões do cérebro conhecidas coletivamente como rede de modo padrão, que é ativada quando há mudança de foco do mundo exterior para os pensamentos internos.

Apesar de já ser sabido que hormônios sexuais como o estrogênio e a testosterona influenciam nossas conexões neurológicas, o novo estudo demonstra a maneira como os hormônios flutuantes da gravidez, como o estradiol, exercem uma influência forte sobre regiões específicas do cérebro.

Para os cientistas, essas descobertas sugerem que “as mudanças neurais da gravidez podem criar um plano que facilite o desenvolvimento subsequente do relacionamento mãe-bebê, que poderia ser potencialmente reforçado pela interação com o bebê”, escrevem.

Fonte: Site Terra

Transtornos alimentares são doenças do cérebro, e não pressão social, aponta estudo

Um novo estudo da Keck School of Medicine, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), mostrou que está errada a noção popular de que os transtornos alimentares são resultado de pressão social e falta de força de vontade. Outra comprovação feita pelos pesquisadores é que a doença é diferente entre meninos e meninas.

A comparação entre gêneros é inédita para pesquisas sobre transtorno de compulsão alimentar periódica. De acordo com o professor associado de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da universidade, Stuart Murray, nas últimas décadas, os homens foram excluídos das pesquisas sobre esses transtornos, o que impacta os resultados nos tratamentos já desenvolvidos.

“Como resultado dessa exclusão, desenvolvemos tratamentos apenas a partir do estudo de mulheres, que depois aplicamos a meninos e homens e esperamos que funcionem com a mesma eficácia”, explica.

Ainda de acordo com ele, essa exclusão ocorria pela errada percepção de que distúrbios alimentares eram incomuns entre homens.

Baseado em trabalhos anteriores, o estudo mostrou que o transtorno de compulsão alimentar está diretamente relacionado ao cérebro, que apresenta diferenças significativas em sua estrutura a depender do gênero.

Observando 74 crianças com idade entre 9 e 10 anos, foi possível concluir que as meninas com transtorno de compulsão alimentar tinham densidade elevada de massa cinzenta em várias partes do cérebro conhecidas por estarem conectadas ao controle de impulsos e compulsão alimentar, que são sintomas do transtorno.

Já os meninos não apresentaram densidade elevada de massa cinzenta nessas áreas. Com isso, Murray reforça a importância de diferenciar o gênero para a pesquisa e o desenvolvimento de tratamentos.

O professor afirma, ainda, que novos procedimentos de remediação estão no horizonte e contemplam a relação direta entre o transtorno e o cérebro.

Conforme divulgado pela USC, o próximo passo da pesquisa deve ser estudar se além de ter estruturas diferentes, os cérebros de homens e mulheres com transtorno de compulsão alimentar têm funcionamentos distintos.

Fonte: CNN

Diferentes áreas do cérebro ‘conversam’ entre si durante o sono para formar as memórias

O sono é essencial para garantir a capacidade de aprendizado e memória. Isto já se sabe há muito tempo. No entanto, cientistas conseguiram agora comprovar como o nosso cérebro trabalha enquanto dormimos para fixar determinadas informações em locais onde elas permanecerão disponíveis por um período maior.

Em um artigo publicado na segunda-feira (24) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o grupo de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia mostrou o que acontece em várias fases do sono.

À medida que passamos do sono de ondas lentas para o REM (movimentos rápidos dos olhos), algo que acontece cerca de cinco vezes por noite, o hipocampo ensina ao neocórtex o que aprendeu.

De acordo com os autores, essa comunicação entre diversas áreas do cérebro permite a conversão de informações novas em memória duradoura.

O hipocampo é a região do cérebro considerada a principal sede das memórias recentes. Já o neocórtex é a porção cerebral associada ao armazenamento de memória mais permanente.

“Este não é apenas um modelo de aprendizado em circuitos locais no cérebro. É como uma região do cérebro pode ensinar outra região do cérebro durante o sono, um momento em que não há orientação do mundo externo. É também uma proposta de como aprendemos graciosamente ao longo do tempo à medida que nosso ambiente muda”, acrescenta, em comunicado, a neurocientista Anna Schapiro, autora do estudo e professora assistente do Departamento de Psicologia da Universidade da Pensilvânia.

Os pesquisadores construíram um modelo de rede neural composto de hipocampo e neocórtex. Durante o estudo, no sono simulado, eles observaram e registraram quais neurônios disparam em cada área. Também foi possível analisar os padrões de atividade.

Nas várias simulações de sono conduzidas pela equipe, foi possível perceber que durante a fase de ondas lentas o cérebro revisita principalmente incidentes e dados recentes, guiado pelo hipocampo.https://d-257381744736125168.ampproject.net/2210211855000/frame.html

Na fase de sono REM, o cérebro é levado a acontecimentos passados, algo presente nas regiões neocorticais.

“À medida que as duas regiões do cérebro se conectam durante o sono não REM, é quando o hipocampo está realmente ensinando o neocórtex. Então, durante a fase REM, o neocórtex se reativa e pode reproduzir o que já sabe”, explica Dhairyya Singh, estudante de doutorado no laboratório de Anna Schapiro.

Os achados fizeram a equipe entender que existe uma necessidade de atingir diversos estágios do sono para que as memórias se formem, embora isso ainda precise ser testado em estudos futuros.

“Um dos nossos próximos passos será realizar experimentos para entender se o sono REM está realmente trazendo à tona memórias antigas e quais implicações isso pode ter para integrar novas informações ao seu conhecimento existente”, afirma Dhairyya.

A professora ressalta que o estudo possui limitações, pois simula o cérebro e o sono de um adulto típico, não sendo necessariamente aplicável a toda a população.

De qualquer forma, a equipe espera, no longo prazo, que essa compreensão do efeito dos estágios do sono na memória possa auxiliar no tratamento de distúrbios psiquiátricos e neurológicos para os quais o déficit de sono são um sintoma.

Por que o cérebro só consegue prestar atenção em uma coisa por vez

A ideia de que é possível prestar atenção em duas ou mais coisas ao mesmo tempo é uma ilusão: o máximo que a mente humana consegue fazer é saltar muito rapidamente de uma tarefa para outra. Novos estudos sugerem que essa limitação deriva da arquitetura profunda do cérebro, um órgão que precisaria se virar com um suprimento mais ou menos fixo de energia trazido pelos vasos sanguíneos.

“É vida que funciona no limite, quase forçando a barra —mas funciona, que é o que importa”, diz a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel, pesquisadora da Universidade Vanderbilt (EUA) e colunista da Folha.

Ela e seus colegas estão propondo um modelo diferente para enxergar como o cérebro lida com suas necessidades energéticas. Em vez de supor que o organismo é capaz de redirecionar todos os recursos necessários para os tecidos cerebrais sempre que houver demanda para isso, eles argumentam que a estrutura do órgão precisa sempre lidar com o fato de que tem pouca margem de manobra —daí a necessidade de resolver um problema cognitivo por vez, entre outras restrições intrínsecas ao funcionamento dele.

A pesquisadora detalha os dados em favor dessa hipótese em artigos no periódico especializado Frontiers in Integrative Neuroscience. Entre os coautores dos estudos estão Lissa Ventura-Antunes e Oisharya Moon Dasgupta, também da Universidade Vanderbilt, e Douglas Rothman, da Universidade Yale (EUA).

Como qualquer outro órgão, o cérebro depende da rede de vasos sanguíneos distribuída pelo nosso organismo para sobreviver. Neurônios e demais células cerebrais são abastecidas com oxigênio e glicose (açúcar) por meio dos capilares sanguíneos, finíssimas “mangueiras” que desembocam nelas. O sangue chega aos capilares a partir da artéria carótida principal, responsável por abastecer a cabeça e o pescoço.

Sabe-se ainda que o cérebro é uma estrutura particularmente “beberrona”, feito um automóvel nem um pouco econômico na hora de usar combustível. Entre seres humanos, ele pode consumir entre 20% e 25% da energia gasta pelo corpo ao longo do dia, embora corresponda apenas a algo entre 2% e 3% do peso corporal. Em menor escala, esse dispêndio desproporcional de energia por parte do cérebro também vale para outras espécies de mamíferos.

Um detalhe intrigante nesse aparente esbanjamento de energia é que, embora o fluxo sanguíneo possa quase dobrar em determinada região do cérebro que esteja sendo ativamente usada (digamos, o córtex visual, crucial para a visão, quando alguém está examinando os detalhes de uma fotografia), o consumo de oxigênio aumenta muito menos nessa mesma região cerebral. Tal “desacoplamento” aparente, que intriga neurocientistas há três décadas, é agora explicado pela capacidade de transporte de oxigênio do sangue para o cérebro, limitada pela densidade de capilares no tecido.

Além disso, tem ficado cada vez mais claro que o cérebro aparentemente em repouso, quando o indivíduo está acordado, mas sem se envolver em nenhuma tarefa cognitiva definida, na verdade está tão ativo, e consumindo tanta energia, quanto um cérebro mais “focado”. Em outras palavras, o tecido nervoso funcionaria de um jeito completamente diferente dos músculos, por exemplo, que só passam a gastar muita energia quando a pessoa está movimentando alguma parte do corpo.

A esses dados se soma uma análise detalhada do consumo de glicose nos neurônios de camundongos e ratos, realizada por Herculano-Houzel, Ventura-Antunes e Dasgupta. O trio de pesquisadoras verificou que, embora a densidade de neurônios (ou seja, quantas dessas células estão empacotadas num dado espaço) possa variar centenas de vezes dependendo da região do cérebro dos roedores, a densidade de capilares que abastecem cada região varia, no máximo, quatro vezes.

Para as cientistas, isso joga por terra a ideia de que o cérebro estaria organizado de maneira a alimentar com mais oxigênio e glicose as regiões que são mais “famintas” por causa da grande quantidade de neurônios, já que o aumento da densidade de células nervosas não é acompanhado de um aumento proporcional de capilares sanguíneos. Na verdade, tudo indica que as áreas com mais densidade de neurônios recebem proporcionalmente menos combustível do que as que têm uma concentração menor dessas células.

Em conjunto, tudo isso sugeriria que o máximo que o cérebro consegue fazer é redirecionar ligeiramente a distribuição de recursos para certas áreas, dependendo da atividade realizada. É aí que se inserem as implicações da hipótese para entender as limitações da atenção humana (e de outros animais).

“É extremamente difícil fazer bem duas coisas ao mesmo tempo. Fazê-las em sequência é mais fácil”, resume o neurocientista português António Damásio, da Universidade do Sul da Califórnia.

De fato, mesmo as pessoas que parecem funcionar bem como “multitarefas” em geral estão apenas alternando com frequência entre uma tarefa e outra. E vários estudos mostram que, na grande maioria dos casos, a qualidade das tarefas realizadas tende a cair quando são realizadas em paralelo. Também podem surgir efeitos negativos de longo prazo sobre a capacidade de concentração.

Segundo Herculano-Houzel, há indícios de que ocorra uma espécie de cabo de guerra entre as diferentes estruturais cerebrais nesse caso, com saltos da atenção de uma modalidade sensorial para a outra (da audição para a visão, digamos). “O que Doug [Rothman] e eu propomos é que existe uma limitação fundamental, de origem energética, a fazermos várias coisas ao mesmo tempo; claro que outros sistemas funcionam por cima dessa limitação.”

Se a proposta estiver correta, ela pode trazer implicações que vão além da compreensão mais detalhada sobre como o cérebro funciona. O mecanismo poderia ajudar a entender por que certas regiões do cérebro são mais vulneráveis à perda de suas funções durante o declínio cognitivo natural que acontece no envelhecimento, ou em formas mais severas dele, como a doença de Alzheimer. Uma das possibilidades, dizem os pesquisadores, é que justamente as regiões com maior densidade de neurônios, com presença proporcionalmente menor de capilares desde o princípio, estejam suscetíveis a isso.

Fonte: Folha S.Paulo

Setembro Amarelo: jovens e idosos são mais vulneráveis aos problemas mentais

Cada vida importa! Mas não basta reconhecer este fato. É preciso estar atento para ajudar na prevenção ao suicídio. Criado em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina, o Setembro Amarelo tem o compromisso de chamar a atenção para este tema considerado tabu, mas que deve ser abordado para impedir que pessoas tomem uma atitude irreversível contra elas mesmas. Só para se ter uma ideia da urgência de fazer este alerta, um levantamento da Organização Mundial de Saúde, em 2015, apontou que pelo menos 800 mil suicídios acontecem todos os anos no mundo. No Brasil, são cerca de 15 mil casos anualmente.


— O suicídio é uma questão de saúde pública. A pandemia, devido ao isolamento social, agravou esse problema. A depressão, o transtorno de ansiedade, a dependência química, a esquizofrenia, entre outras doenças, podem levar ao suicídio. Uma maneira de salvar vidas é o tratamento adequado das doenças mentais — comenta o especialista, que tem consultório no Leblon.

Gebara garante que os sinais de quem está precisando de ajuda são fáceis de ser identificados:

— Há uma mudança de comportamento. O sujeito que era extrovertido deixa de ser. Fica claro um desinteresse por atividades estudantis, profissionais ou sociais. O indivíduo também passa a dizer frases, como “Não aguento mais essa vida”. O auxílio profissional, imediato, para quem apresenta estes sintomas é fundamental.

Jovens e idosos são os mais afetados pelo problema, como ele confirma: Pessoas entre 15 e 24 anos, assim como quem já passou dos 60, fazem parte de um grupo mais vulnerável. No caso dos jovens, é porque sofrem influências de terceiros e de jogos da internet que incitam práticas de atos terríveis. Já os idosos, é porque muitas vezes ficam sem esperança no amanhã.

— Um avô e um tio tiraram suas vidas. É um baque pela morte e pelo fato de a própria pessoa ter feito isso. Minha mãe se preocupava que eu fizesse o mesmo. Mas tenho gana de viver — ressalta.

Fonte: O Globo